Como leite gaúcho busca competitividade na cadeia
No Dia Mundial do Leite, Sindilat/RS defendeu políticas públicas
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O Sindicato da Indústria de Laticínios e Produtos Derivados do Estado do Rio Grande do Sul marcou o Dia Mundial do Leite, celebrado nesta segunda-feira (1º/6), em Três de Maio (RS), com uma programação voltada ao futuro da cadeia leiteira. Segundo dados divulgados pelo Sindilat/RS, mais de 600 pessoas participaram do encontro, entre produtores, estudantes, técnicos e autoridades.
Em um dos principais polos da bacia leiteira do Noroeste gaúcho, o presidente do Sindilat/RS, Guilherme Portella, destacou o peso da atividade para o desenvolvimento regional. Durante o painel “Visão do Sindilat/RS sobre o futuro do setor leiteiro do RS”, ele afirmou que a produção de leite ocupa papel estratégico em centenas de municípios.
“O leite é central na economia de centenas de municípios gaúchos. Precisamos construir um ambiente que permita ao setor ter competitividade para as indústrias, rentabilidade ao produtor, eficiência e perspectiva de futuro. O diálogo entre todos os elos da cadeia é fundamental para que o Rio Grande do Sul siga como referência nacional na produção leiteira”, destacou Portella.
A fala reforça um ponto sensível para o agronegócio gaúcho: a necessidade de alinhar indústria, produtores, técnicos, cooperativas e poder público em torno de uma agenda comum. Para o setor, competitividade não depende apenas da produção no campo, mas também de ambiente econômico, organização da cadeia e capacidade de resposta aos desafios de mercado.
A programação no Parque de Exposições Germano Dockhorn também incluiu o painel “Perspectiva do Setor Leiteiro – Leite do Futuro”, mediado pelo secretário-executivo do Sindilat/RS, Darlan Palharini. No debate, ele defendeu políticas públicas mais robustas para proteger o mercado nacional e dar sustentação à cadeia produtiva.
“Precisamos de políticas públicas fortes para proteger o mercado nacional, principalmente na questão da elevação da entrada dos importados, eliminar gargalos produtivos e fortalecer programas como o Programa Mais Leite Saudável, que contribuem para a qualidade, a assistência técnica e a competitividade do setor”, afirmou Palharini.
A avaliação, atribuída ao secretário-executivo do Sindilat/RS, indica que a entrada de produtos importados segue como preocupação para a indústria e para os produtores. O tema se soma a outros desafios apontados no encontro, como eficiência, gestão, qualidade e assistência técnica.
O painel contou ainda com a participação do engenheiro agrônomo e diretor da Transpondo – Desafios da Cadeia do Leite, Wagner Beskow, que abordou gestão, tecnologia e eficiência produtiva. A presença do especialista reforçou a discussão sobre como o setor pode melhorar processos, reduzir gargalos e ampliar a competitividade.
Para produtores rurais e cooperativas, a mensagem prática do encontro foi a necessidade de avançar em organização, qualificação técnica e adoção de ferramentas que ajudem a tornar a atividade mais eficiente. O material divulgado pelo Sindilat/RS não detalha medidas específicas apresentadas por Beskow, mas registra que sua participação esteve concentrada nesses três pontos: gestão, tecnologia e eficiência produtiva.
Além dos painéis técnicos, a programação do Dia Mundial do Leite em Três de Maio incluiu recepção temática com produtos lácteos, lançamento do concurso Produtor de Leite Destaque Amufron, apresentação da Expo Terneira 2026 e almoço de confraternização.
A agenda buscou valorizar não apenas a indústria, mas também o produtor rural e os demais agentes envolvidos na cadeia. Em um momento de discussão sobre custos, mercado e competitividade, o encontro colocou a integração entre os elos como condição para manter o Rio Grande do Sul em posição de referência nacional na produção leiteira.
Futuro do leite gaúcho depende de articulação
Segundo o Sindilat/RS, o debate realizado em Três de Maio apontou que o futuro do leite gaúcho passa por competitividade industrial, rentabilidade ao produtor, eficiência produtiva e políticas públicas capazes de enfrentar a pressão dos importados e fortalecer programas de qualidade e assistência técnica. O recado central do encontro foi que a cadeia leiteira precisa atuar de forma coordenada. Para o produtor, isso significa buscar eficiência e apoio técnico. Para a indústria, ampliar competitividade. Para o setor público, construir políticas que deem previsibilidade a uma atividade considerada estratégica para centenas de municípios gaúchos.