Como um fungo consegue atacar outros fungos no solo?
A segunda estratégia envolve a competição por espaço e nutrientes
A segunda estratégia envolve a competição por espaço e nutrientes - Foto: Divulgação
O uso de fungos benéficos no solo pode contribuir para o controle de doenças e o desenvolvimento das plantas, mas sua eficiência depende de diferentes mecanismos biológicos. Segundo o biólogo Marcus Lourenço, conhecido como Polé, o Trichoderma atua por três caminhos principais, que ajudam a explicar seu potencial no manejo agrícola.
O primeiro mecanismo é o micoparasitismo, processo em que o microrganismo reconhece, envolve e ataca fungos causadores de doenças. Suas hifas podem se enrolar nas estruturas dos patógenos, enquanto enzimas, como as quitinases, contribuem para degradar suas paredes celulares. Entre os possíveis alvos estão fungos dos gêneros Sclerotinia, Rhizoctonia e Fusarium.
A segunda estratégia envolve a competição por espaço e nutrientes. O Trichoderma pode colonizar rapidamente determinadas regiões do solo e das raízes, reduzindo as oportunidades de estabelecimento de organismos prejudiciais. Algumas cepas também produzem sideróforos, substâncias capazes de captar ferro e limitar sua disponibilidade para outros microrganismos.
O terceiro mecanismo está relacionado à ativação das defesas vegetais. Determinadas cepas podem estimular a resistência sistêmica induzida, preparando a planta para responder melhor ao ataque de patógenos. Além disso, substâncias produzidas pelo fungo podem favorecer o crescimento das raízes e melhorar a exploração de água e nutrientes.
Entretanto, os resultados não são automáticos. A escolha da cepa, a formulação, a dose, o momento de aplicação e as condições do solo influenciam diretamente o desempenho do bioinsumo.