Compras desaceleram e milho volta a perder valor
Neste momento, produtores estão concentrados na conclusão da colheita
Foto: Agrolink
A menor necessidade de compras no mercado interno voltou a pressionar as cotações do milho em parte das regiões brasileiras nos últimos dias. O movimento ocorre porque alguns compradores já estão abastecidos para atender à demanda de curto prazo, o que reduz a presença desses agentes nas negociações. Segundo dados divulgados pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada, o Cepea, parte dos consumidores domésticos avalia que as aquisições realizadas anteriormente são suficientes para o consumo mais imediato.
Com menor urgência para recompor estoques, esses agentes passaram a atuar de forma mais cautelosa, enfraquecendo a procura pelo cereal e abrindo espaço para recuos de preços em algumas praças acompanhadas pelo Centro de Pesquisas. A pressão baixista, entretanto, encontra resistência do lado da oferta. De acordo com pesquisadores do Cepea, parte dos produtores evita disponibilizar volumes maiores de milho neste momento. A postura mais retraída ajuda a impedir quedas mais intensas nas cotações.
Entre os fatores que influenciam essa decisão está a atenção às condições climáticas previstas para os próximos meses. Os produtores também acompanham a elevação da paridade de exportação, elemento que pode tornar as vendas externas mais atrativas. Além das decisões comerciais, as atividades agrícolas também reduzem o foco nas negociações.
Neste momento, produtores estão concentrados na conclusão da colheita da segunda safra 2025/26 e no avanço da semeadura da safra de verão 2026/27. Esse cenário cria um mercado com forças opostas. Enquanto a menor presença de compradores exerce pressão sobre os preços, a restrição de oferta por parte dos produtores funciona como suporte às cotações.