Conab quer frear queda na área de milho

Agronegócio

Conab quer frear queda na área de milho

Leilão oferece R$ 78,6 milhões em prêmios para escoar 760 mil toneladas de milho do Paraná, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Goiás e Brasília
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A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) entra no mercado amanhã oferecendo R$ 78,6 milhões em prêmios para o escoamento de 760 mil toneladas de milho – o equivalente 16% do que o Paraná colheu na safrinha. A meta da operação é aliviar a pressão da oferta, que aumentou nos últimos meses, principalmente em Mato Grosso, onde a produtividade subiu 5,9%. Com isso, a intenção é segurar a previsão de queda na área, que no Paraná pode encolher até 20%.

A redução do consumo internacional agrava a situação dos produtores no Paraná, que estão recebendo R$ 14,75 por saca de 60 quilos, 20% a menos que o valor nominal de um ano atrás. Das 760 mil toneladas a serem escoadas com prêmio (PEP), 500 mil são de Mato Grosso. O Paraná poderá escoar 100 mil toneladas, com PEP de R$ 1,74 por saca para quem pagar preço mínimo de R$ 16,50 ao produtor. Goiás e Distrito Federal vão tentar vender 80 mil e Mato Grosso do Sul, outras 80 mil toneladas. O produto terá de ser vendido fora das regiões produtoras.

Trata-se da primeira interferência na tentativa de preparar o mercado para o milho de verão, que começa a ser plantado agora. Os preços baixos estão fazendo com que os produtores optem pela soja.

O quadro atual pode fazer com que o estoque final da safra 2008/09, a ser aferido em janeiro de 2010, quando começa a entrar no mercado o milho de verão, fique acima das 9,63 milhões de toneladas estimadas pela Conab. "Existe o risco de essa previsão não se confirmar", diz o superintendente da companhia no Paraná, Lafaete Jacomel. No início deste ano, havia 11 milhões de toneladas armazenadas, o que ajudou a reduzir os preços.

Apesar do esforço da Conab, não há segurança de que os preços internos vão reagir, acrescenta. "A saída para o mercado do milho, neste momento, é a exportação", diz Jacomel. Até agora, o país exportou cerca de 6 milhões de toneladas, para uma previsão de 8 milhões considerando o ano todo.

O prêmio de R$ 1,74 por saca escoada é considerado baixo pelo mercado. "Gasta-se mais do que isso no escoamento do milho do Paraná para o Norte ou o Nordeste", afirma o gerente técnico-econômico da Organização das Cooperativas do Paraná (Ocepar), Flávio Turra.

"Nos estruturamos para sermos exportadores, mas a conjuntura internacional não permitiu a elevação contínua das vendas para o exterior. Mesmo que o plantio de verão seja reduzido em 10% no Paraná (de 1,3 para 1,17 milhão de hectares), os estoques, que estão em patamares acima do normal, podem se manter em bons níveis", analisa Turra.

Para ele, o produtor deveria estar recebendo R$ 17,5 por saco para manter suas apostas na cultura. Os produtores de aves e suínos do estado compraram milho do Centro-Oeste a preços inferiores aos do Paraná e mostram-se pouco interessados em novas compras.


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