Concurso mostram potencial da região Central mineira na produção de milho
Entre os pontos fortes, destaca-se a ampliação do uso dos sistemas de plantio direto, de integração lavoura-pecuária e do sistema lavoura-pecuária-floresta
Entre os pontos fortes, destaca-se a ampliação do uso dos sistemas de plantio direto, de integração lavoura-pecuária e do sistema lavoura-pecuária-floresta. Em relação ao plantio direto, por exemplo, das 33 lavouras colhidas, 20 adotaram a tecnologia, “o que significa uma grande evolução, considerando o perfil dos produtores”, interpretam os autores do trabalho, que será apresentado durante o XXVIII Congresso Nacional de Milho e Sorgo em Goiânia-GO de 31 de agosto a 2 de setembro. Foram visitadas 34 lavouras em 18 municípios da região de Sete Lagoas, sendo que em cada um dos municípios foi selecionado, a critério do extensionista da Emater-MG local, um número máximo de cinco produtores de milho.
Em relação às sementes, a opção pelas variedades ainda predomina, com 13 propriedades que apresentaram rendimento médio de 6.612 kg por hectare. O maior rendimento, segundo o trabalho, foi registrado em uma lavoura semeada com um híbrido duplo, cuja produtividade chegou a 13.323 kg/ha. No total, oito produtores optaram por híbridos duplos e os triplos apresentaram rendimento médio de 8.462 kg/ha. Já os híbridos simples foram opção em cinco propriedades, com rendimentos que variaram de 7.330 kg/ha a 11.369 kg/ha. “Por ser uma região com predominância de pequenos e médios agricultores, verifica-se que o uso de híbridos simples, que representam mais de 60% de todas as sementes utilizadas no país, ainda é feito em menor escala na região”.
Mas um dos fatos mais interessantes é a comprovação da fertilidade natural dos solos sobre a produtividade das lavouras. Em uma propriedade localizada às margens do rio das Velhas, em lavoura conduzida em solo aluvial, onde um produtor planta sementes da mesma variedade há mais de 10 anos realizando a sua própria seleção e colhendo sempre as melhores espigas, foi registrada uma produtividade de 9.941 kg/ha nesta última safra. Nessa lavoura, segundo relatos do agricultor, não são utilizados fertilizantes, herbicidas, inseticidas ou fungicidas, sendo que o rendimento médio das últimas quatro safras foi de 8.662 kg/ha.
“Tais dados refletem a alta fertilidade natural de algumas áreas e a adequação desse tipo de semente (variedades) para a região, o que comprova o potencial para altas produtividades”, analisam os autores. Todavia, os agrônomos chamam a atenção para gargalos tecnológicos, como a não consolidação de práticas como a análise de solo (apenas 44% dos agricultores realizam), e a falta de estruturas adequadas para armazenamento, causa responsável por perdas por fermentação e contaminação por ataques de roedores e insetos, “o que reduz a quantidade e a qualidade do cereal”.
O trabalho é de autoria do engenheiro agrônomo da Emater-MG Walfrido Albernaz, dos pesquisadores José Carlos Cruz, Israel Pereira Filho e Walter Matrangolo, dos analistas Marco Aurélio Noce, Fredson Chaves e Diego Carvalho e do assistente João Batista Sobrinho, todos da Embrapa Milho e Sorgo.