Confinamento 7,3% menor
Incertezas sobre a real rentabilidade deste nicho da atividade explicam a redução mato-grossense. Serão 39 mil cabeças a menos em 2009
A expectativa atual de confinamento em Mato Grosso aponta para uma redução de 7,3% em relação ao volume de animais destinados a esta prática em relação a 2008, ou, 39 mil cabeças a menos. O volume confinado no ano passado foi de 536 mil cabeças e este ano se projetam 497 mil cabeças. Se os números se confirmarem, a pecuária estadual, que tem capacidade estática de confinamento de até 668 mil cabeças, estará ofertando 25,6% a menos do que o potencial.
As informações divulgadas ontem pela Associação dos Criadores de Mato Grosso (Acrimat), são baseados em um levantamento do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea), órgão vinculado à Federação da Agricultura e Pecuária de Mato Grosso (Famato). O Instituto identificou que 212 propriedades, em Mato Grosso, possuem estrutura de confinamento, sendo que das 189 unidades confinadoras contatadas quase 25% disseram estar fora de atividade em 2009.
O confinamento é uma alternativa em que os pecuaristas vislumbram rentabilidade maior no período da entressafra, quando naturalmente os preços tendem a aumentar por causa da escassez na oferta do boi gordo, pronto para abate. Em Mato Grosso, os pecuaristas apostaram nessa modalidade e nos últimos quatro anos o número de propriedades que optaram por este nicho da atividade cresceu mais de 300%. Mas, essa curva ascendente vem sinalizando baixas, em função de alterações, principalmente no cenário doméstico.
Como explica o superintende da Acrimat, Luciano Vacari, o pecuarista quando vai tomar a decisão de fechar o animal em cocho (confinamento) ele analisa o custo de produção onde três itens são fundamentais: preço dos grãos (milho, soja, caroço, etc.), o custo do animal magro e o preço que ele vai vender o animal.
“Essa análise e posterior decisão, o pecuarista teve de tomar em maio e junho e naquele período o boi magro estava em falta, o grão estava com preços altos e a incerteza era grande no mercado futuro - BM&F. Isso explica a desmotivação para o confinamento neste ano”.
Ele aponta ainda um entrave local que potencializa a decisão do pecuarista em reduzir, ou até mesmo, abrir mão do confinamento. “A capacidade de abate, em função da paralisação de 15 frigoríficos, está reduzida também no Estado e isso reduz a demanda das plantas que estão em operação”.
Pelas incertezas atuais, ele orienta o pecuarista a observar diariamente o comportamento do mercado e “ficar atento e procurar operações de hedge (mercado futuro onde os preços são negociados para entrega posterior do produto), que são formas de se proteger contra as oscilações do mercado, o que significa menos risco“.
LEVANTAMENTO - O Imea identificou que das 497 mil cabeças confinadas, 440 mil cabeças já têm data de abate prevista. A incerteza com relação a preços é tida como principal causa para a falta de exatidão ao abate das 57 mil cabeças restantes, que pode ser considerado um volume grande, visto que restam menos de três meses para o fim da seca. Toda esta indefinição é agravada pelo baixo percentual com hedge, ou seja, um volume pequeno de animais teve seus preços fixados na BM&F (Bolsa de Mercadorias & Futuros) ou no mercado a Termo (direto com frigoríficos).
Os preços em vigor no mercado não só influenciaram o volume de animais confinados, como também, mudou sensivelmente as expectativas de comercialização dos animais. Enquanto em 2008 menos de 14% dos animais foram comercializados nos meses de novembro e dezembro, para este ano é esperada a comercialização de 24% do total neste período. Em setembro é esperada a principal queda no volume de comercialização, o mercado espera a entrega de 58 mil cabeças a menos em relação a 2008. Apesar disso, a taxa de ocupação média das indústrias frigoríficas do Estado com animais produzidos em confinamentos, deve atingir o segundo maior volume do ano em setembro, com 14,3% de utilização, e em outubro é esperada a maior taxa de ocupação do ano com 18,8%. No mês de outubro a taxa de ocupação dos frigoríficos da região nordeste poderá chegar a 36,9% somente com animais de confinamentos e deve superar os 20% nas regiões médio norte, oeste, centro sul e sudeste.