Conflito trava alívio esperado nos fertilizantes
A sazonalidade que em anos mais estáveis costuma aliviar a pressão
A sazonalidade que em anos mais estáveis costuma aliviar a pressão - Foto: Divulgação
A expectativa de um período mais favorável para compras de fertilizantes no segundo trimestre perdeu força em 2026 diante da escalada do conflito no Oriente Médio, dos custos elevados e das dificuldades logísticas. A avaliação está na nova edição do Relatório Trimestral de Perspectivas para Commodities, que aponta um cenário mais adverso para negociações no mercado global.
Segundo a StoneX, a sazonalidade que em anos mais estáveis costuma aliviar a pressão compradora em grandes importadores, como Brasil e Índia, foi alterada. A combinação entre redução temporária da produção em alguns países, entraves logísticos no Estreito de Ormuz e a alta dos preços reduziu a chance de o trimestre se consolidar como uma janela de oportunidade.
Nos nitrogenados, ainda pode haver correções pontuais com a reabertura do estreito, mas a expectativa é de que atrasos, contratos represados e baixa oferta de navios continuem sustentando as cotações. Nos Estados Unidos, uma pesquisa do Farm Bureau mostrou dificuldade de compra entre produtores após a forte valorização da ureia, com cerca de 70% dos entrevistados dizendo não ter capacidade financeira para adquirir todo o volume necessário.
Nos fosfatados, a oferta segue restrita por problemas de escoamento no Oriente Médio, manutenção industrial no Marrocos e incertezas nas exportações chinesas. Já nos potássicos, embora a relação de troca siga menos pressionada do que em ureia e MAP, fretes mais altos, seguros elevados e o risco geopolítico também limitam um cenário de alívio. “O gerenciamento de riscos e uma gestão eficiente dos custos da lavoura serão decisivos para a sustentabilidade do negócio agrícola em 2026”, conclui Tomás Pernías, analista de Inteligência de Mercado da StoneX.