Consultoria vê avanço chinês em máquinas agrícolas
O levantamento aponta ainda uma vantagem estrutural de custos de até 27%
O levantamento aponta ainda uma vantagem estrutural de custos de até 27% - Foto: Canva
A presença chinesa no mercado brasileiro de máquinas agrícolas começa a ganhar escala e repete movimentos já observados em outros segmentos industriais. Segundo Carlos Cogo, Sócio-Diretor de Consultoria da Cogo Inteligência em Agronegócio, o avanço das importações de tratores e colheitadeiras indica uma estratégia que combina entrada via comércio exterior, expansão da distribuição e posterior nacionalização da produção.
No primeiro semestre de 2026, o Brasil importou 14.985 tratores, volume superior ao registrado em todo o ano de 2025. As máquinas chinesas avançaram 86% em um ano e já representam 67% do total importado. Ainda não há montadoras chinesas de tratores operando fábricas no país, mas YTO anunciou uma planta em Pernambuco, Zoomlion avalia o Centro-Oeste e Foton Lovol negocia uma instalação em Goiás.
O levantamento aponta ainda uma vantagem estrutural de custos de até 27% em relação à produção nacional. Marcas como a YTO já trabalham com preços de 30% a 40% mais baixos, em um cenário associado à escala industrial, ao custo do aço e à mão de obra na China.
O movimento também chega às colheitadeiras. Sete fabricantes chineses já testam ou comercializam equipamentos no Brasil, enquanto a CRCHI atua com uma cadeia completa de colheita e beneficiamento de algodão em Mato Grosso.
Para Cogo, o paralelo com o setor automotivo ajuda a dimensionar o potencial dessa transformação. O avanço de fabricantes chineses de veículos, com expansão das vendas e instalação de fábricas locais, mostra uma trajetória que pode se repetir no maquinário agrícola. A análise aponta que a disputa envolve tecnologia, capital e política industrial, com potencial para ampliar a concorrência em equipamentos essenciais à produção de grãos, fibras e proteína no país.