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Controle de daninhas no trigo exige ação precoce

Quando controlar plantas daninhas no trigo


Foto: Canva

O crescimento vegetativo do trigo, que vai da emergência das plântulas ao início do alongamento dos colmos, é apontado por pesquisadores como uma das fases mais importantes para o manejo de plantas daninhas. Nesse período, a cultura define grande parte do potencial de perfilhamento, área foliar e enraizamento, o que torna o controle precoce decisivo para evitar perdas de produtividade e reduzir custos de manejo ao longo da safra.

De acordo com as recomendações técnicas para a cultura do trigo, a interferência das plantas daninhas é mais crítica desde a emergência até o final do perfilhamento. A orientação geral é realizar o controle em pós-emergência precoce, quando o trigo apresenta entre duas e quatro folhas bem desenvolvidas e as daninhas ainda estão em estádios iniciais. “A decisão deve considerar o tipo de daninha predominante, a densidade de infestação, o histórico de resistência e as condições de clima e umidade do solo”, destacam as recomendações técnicas da Embrapa Trigo.

Pesquisadores explicam que, nas principais regiões produtoras do Sul do Brasil, a emergência das plantas daninhas costuma coincidir com a emergência do trigo. Espécies como nabo, azevém, aveia-preta e capim-marmelada competem por luz, água e nutrientes justamente quando o cereal ainda possui sistema radicular pouco desenvolvido e baixa capacidade de sombreamento do solo. “Se as plantas daninhas forem controladas tardiamente, parte do prejuízo já estará consolidada, com redução de perfilhamento, menor acúmulo de biomassa e maior suscetibilidade a estresses hídricos e nutricionais”, afirmam os pesquisadores.

O conceito que orienta o momento de intervenção é o Período Crítico de Prevenção da Interferência (PCPI). Segundo os estudos citados nas recomendações da Embrapa Trigo, esse intervalo normalmente se estende da emergência até próximo ao final do perfilhamento, dependendo da infestação e das condições de crescimento. “É nessa faixa que o controle deve ser realizado para evitar perdas relevantes de produtividade”, ressaltam os pesquisadores.

A análise do tipo de planta daninha também influencia diretamente a estratégia de manejo. Folhas largas, como nabo e caruru, costumam competir de forma intensa por luz, enquanto gramíneas como azevém e aveia-preta disputam água e nutrientes no mesmo estrato do solo ocupado pelo trigo. “O controle é mais eficiente quando as plantas daninhas ainda estão jovens, antes do perfilhamento avançado e do alongamento dos colmos”, indicam as recomendações técnicas.

Os impactos da competição no vegetativo vão além da redução de rendimento. Pesquisadores apontam que lavouras infestadas apresentam menor perfilhamento, menor aproveitamento dos fertilizantes aplicados e aumento dos custos com herbicidas, já que plantas mais desenvolvidas exigem misturas mais complexas e, em alguns casos, reaplicações. “Aplicações tardias também aumentam o risco de fitotoxicidade ao trigo”, alertam os estudos utilizados como base para o manejo da cultura.

A tomada de decisão, segundo a Embrapa Trigo, não deve ser baseada apenas em calendário. O monitoramento de campo é considerado essencial para avaliar o estádio do trigo, o estágio das daninhas, a densidade de infestação, o histórico da área e as condições climáticas. “Evitar aplicações em períodos de geadas iminentes, estiagens severas ou solos encharcados é fundamental para preservar a seletividade dos herbicidas e a eficiência do controle”, afirmam os pesquisadores.

O planejamento do controle químico deve começar com a identificação das espécies predominantes e de seus estádios de desenvolvimento. A partir desse diagnóstico, define-se o espectro de controle desejado e a escolha de herbicidas registrados para a cultura. “O objetivo principal é eliminar as plantas daninhas antes e durante o período crítico de competição, utilizando produtos seletivos ao trigo e rotacionando mecanismos de ação para reduzir o risco de resistência”, destacam as recomendações técnicas.

Em uma situação prática descrita pelos pesquisadores, uma lavoura com alta infestação de azevém e nabo foi monitorada logo após a emergência do trigo. O técnico aguardou poucos dias para permitir a emergência de mais plântulas, mas realizou a aplicação ainda dentro da janela de duas a quatro folhas da cultura. “Com isso, foi possível reduzir a necessidade de reaplicação posterior e manter a lavoura limpa durante o período crítico de competição”, relatam os pesquisadores.

Além do controle químico, práticas culturais têm papel importante na redução da pressão de plantas daninhas. A manutenção de palhada sobre o solo, o ajuste da densidade de semeadura, o controle mecânico localizado e a rotação de culturas ajudam a diminuir a emergência de novas plantas e a reduzir a dependência de herbicidas ao longo dos anos.

Os pesquisadores reforçam que todo uso de herbicidas deve seguir rigorosamente o rótulo e a bula dos produtos, incluindo dose, estádio de aplicação, intervalo de segurança e exigência de equipamentos de proteção individual. “É indispensável utilizar EPIs completos, evitar deriva para áreas vizinhas e contar com receituário agronômico emitido por engenheiro agrônomo habilitado”, orienta a Embrapa Trigo. Como orientação final, as recomendações técnicas indicam que o produtor deve verificar o estágio do trigo, identificar as principais plantas daninhas, avaliar a densidade de infestação, confirmar o registro do herbicida para a cultura e registrar todas as operações realizadas na lavoura. Segundo os pesquisadores, essas informações são fundamentais para ajustar o manejo nas próximas safras e preservar o potencial produtivo do trigo.

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