Controle logístico amplia margem no agronegócio
O produtor assume riscos ligados ao clima, à produtividade e ao preço da colheita
O produtor assume riscos ligados ao clima, à produtividade e ao preço da colheita - Foto: Canva
A maior parcela de valor na cadeia brasileira de grãos não está apenas na produção, mas no controle do fluxo que liga a fazenda ao porto. Segundo artigo de Drew Crawford, da Austral Continental, essa função é exercida pelos originadores, empresas que compram, financiam, armazenam e transportam a safra até a exportação.
O texto mostra que a Amaggi negociou 22,5 milhões de toneladas de grãos no ano passado, embora tenha produzido pouco mais de 1 milhão de toneladas em áreas próprias. O restante veio de cerca de 6 mil produtores integrados ao sistema da companhia, exemplo de como a originação amplia escala sem depender apenas da terra cultivada.
Nesse modelo, o produtor assume riscos ligados ao clima, à produtividade e ao preço da colheita. O originador controla contratos, armazenagem, logística e o basis, diferença entre o valor pago no interior e o preço obtido no porto. Essa oscilação pode gerar margem quando o grão é comprado em períodos de prêmio mais fraco, estocado e vendido depois em condições favoráveis.
Outro instrumento relevante é o barter, operação em que sementes e fertilizantes são entregues antes do plantio e pagos com grãos na colheita. Com juros elevados e crédito restrito, o mecanismo ajuda a travar custos, mas pode exigir mais sacas quando os insumos encarecem.
O artigo estima que a combinação de barter, armazenagem, frete, compra, venda e basis pode render entre 15 e 30 dólares por tonelada. Em grandes volumes, a margem acumulada alcança centenas de milhões de dólares. Para investidores estrangeiros, o acesso pode ocorrer por dívida lastreada em recebíveis, participação em infraestrutura ou operações estruturadas com originadores regionais, com atenção a garantias, monitoramento e risco de inadimplência.