Brasil tem dois terços da área cultivável com necessidade de correção
Grande parte dos solos brasileiros apresenta acidez elevada
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A correção da acidez dos solos com calcário agrícola deixa de ser apenas uma etapa do preparo da área e passa a ocupar espaço central na estratégia produtiva das propriedades. Em um cenário de margens mais apertadas e riscos climáticos maiores, a calagem bem orientada pode ampliar a eficiência no uso dos nutrientes, fortalecer o desenvolvimento das raízes e contribuir para ganhos expressivos em lavouras e pastagens.
Grande parte dos solos brasileiros apresenta acidez elevada, condição que limita o desenvolvimento das culturas e reduz a capacidade das plantas de aproveitar água e nutrientes. Segundo o material divulgado, cerca de dois terços da área cultivável do país necessitam de correção da acidez.
A calagem atua justamente nesse ponto. O processo neutraliza o alumínio tóxico, fornece Cálcio e Magnésio, equilibra o ph do solo e aumenta a disponibilidade de nutrientes essenciais. Com isso, culturas como soja, milho e gramíneas forrageiras passam a ter melhores condições para expressar seu potencial produtivo.
“Solos ácidos sem correção adequada podem comprometer o desenvolvimento das raízes, o que diminuirá a absorção de água e dos nutrientes e reduzirá a produtividade. Quando falamos sobre calagem e benefícios do uso do calcário agrícola, evidenciamos a ciência a favor do melhor cultivo, aliando ganho, eficiência e cuidado com o solo”, afirma Anderson Lange, doutor em Energia Nuclear na Agricultura.
O avanço da agricultura de alta performance tem ampliado a importância de recomendações mais precisas. Não basta aplicar calcário: a resposta depende da dose correta, da análise de solo, da granulometria do produto e da técnica de aplicação mais adequada para cada propriedade e região.
Professor titular da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), em Sinop, Lange liderou estudos sobre superdoses de calcário na região. Os ensaios de manejo de correção do solo, com mais de mil parcelas amostradas, apontaram ganhos de produtividade de até 20 sacas por hectare em quatro anos, na comparação com áreas que receberam doses tradicionais.
Para o pesquisador, a recomendação técnica é decisiva para transformar o insumo em resultado econômico. “O profissional especializado é quem terá condições, junto ao produtor rural, de orientar a melhor estratégia de calagem. A agricultura de alta performance, com margens cada vez mais achatadas e riscos climáticos cada vez maiores, não permite amadorismos. Ciência agrega mais segurança à atividade”, assinala.
A aplicação correta de calcário também melhora o aproveitamento de nutrientes já presentes no solo. Ao ajustar o pH e reduzir os efeitos do alumínio tóxico, a calagem favorece a disponibilidade de fósforo e de outros elementos necessários ao crescimento das plantas.
Na prática, isso significa que a correção do solo pode tornar o sistema produtivo mais eficiente. Raízes melhor desenvolvidas exploram maior volume de solo, absorvem mais água e nutrientes e ajudam a reduzir perdas de produtividade provocadas por limitações químicas do ambiente de cultivo. Esse efeito é relevante tanto para lavouras de grãos quanto para áreas de pastagem. No caso da pecuária, solos corrigidos favorecem pastos mais volumosos, o que pode impactar diretamente a disponibilidade de alimento para o rebanho.
Embora esteja fortemente associado à produção de soja, milho e pastagens, o calcário também é utilizado em outros sistemas agropecuários. O material aponta aplicações em hortas, pecuária, piscicultura, ração e sal mineral.