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Corteva Agriscience e Aprosoja Brasil lançam cartilha técnica sobre Pragas Quarentenárias

Empresa e entidade lançam documento para apoiar o produtor rural


Foto: Michel Montefeltro

Com o objetivo de blindar a produtividade nacional e garantir a fluidez do comércio exterior, a Corteva Agriscience e a Associação Brasileira dos Produtores de Soja (Aprosoja Brasil), com apoio do Professor Mauro Rizzardi, Engenheiro Agrônomo e docente da Universidade de Passo Fundo, produziram uma cartilha com informações sobre pragas quarentenárias e a melhor forma de manejá-las, a exemplo da realização de Manejo Outonal. O material foi lançado nesta terça-feira, 2 de junho, em evento realizado na véspera da segunda edição do Congresso Brasileiro dos Produtores de Soja, promovido pela Aprosoja Brasil - que vai reunir em Brasília produtores, entidades do setor, técnicos e autoridades. 

Durante o lançamento do documento, foram realizadas sessões de capacitação em boas práticas agrícolas no Caminhão de Boas Práticas da Corteva, com participação da Aprosoja. Além disso, uma campanha de conscientização a respeito das pragas quarentenárias também foi divulgada no encontro.

De acordo com o Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA), pragas quarentenárias são organismos, sejam eles insetos, fungos, bactérias, vírus ou plantas daninhas, que representam alto risco econômico. Elas ameaçam a sanidade vegetal e limitam exportações. Por essa razão, essas pragas são objeto de controle oficial, seja no emprego de medidas voltadas à prevenção de entrada no país ou, caso presente em determinada área, na forma de medidas fitossanitárias para viabilizar a erradicação e controle no intuito de evitar a dispersão. 

Esse tipo de praga, segundo Mauro Antônio Rizzardi, engenheiro agrônomo, professor da Universidade de Passo Fundo (RS) e doutor em plantas daninhas, pode se dividir em:

1.    Praga Quarentenária Ausente: praga de importância econômica potencial para uma área em perigo, porém não presente no território nacional.
2.    Praga Quarentenária Presente: praga de importância econômica potencial para uma área em perigo, presente no país, porém não amplamente distribuída e encontra-se sob controle oficial. 
3.    Praga não quarentenária regulamentada: Praga não quarentenária cuja presença em plantas para plantio influi no seu uso proposto, com repercussões economicamente inaceitáveis e que, portanto, está regulamentada no território da parte contratante importadora.

A presença dessas pragas representa um dos maiores gargalos logísticos e financeiros para o agronegócio. Com a safra brasileira atingindo patamares recordes, a atenção ao manejo preventivo tornou-se uma questão de soberania econômica. "As pragas quarentenárias são um tema crítico para a balança comercial brasileira, e a conscientização é o melhor caminho para proteger nossa produtividade", afirma Jair Maggioni, Coordenador de Boas Práticas Agrícolas da Corteva no Brasil.

A urgência deste material educativo é reforçada por episódios recentes que abalaram não só a cadeia logística, como as exportações do agronegócio. Nos últimos meses, 20 navios de grãos destinados à China foram devolvidos ou retidos devido à identificação de sementes de plantas daninhas e vestígios de pragas ausentes no território chinês.

Estima-se que reverter um navio cargueiro, somado às multas contratuais e à necessidade de reprocessamento da carga, possa gerar prejuízos na casa dos milhões de dólares por embarcação. Além do custo logístico de redirecionar ou reprocessar cargas de 69 mil toneladas (capacidade média de um navio Panamax), o setor enfrentou o cancelamento de contratos e a queda nos prêmios de exportação. Somando-se ao impacto financeiro direto, incidentes como esse, podem gerar risco de imagem do Brasil, que exporta cerca de 80% de sua soja para o mercado chinês, colocando o país sob regimes de inspeção mais rigorosos, o que atrasa o escoamento da safra e reduz a competitividade do produto nacional frente a concorrentes globais.

Controle de plantas daninhas na pós-colheita (Manejo Outonal) como estratégia fitossanitária

Em um cenário onde o Brasil projeta colher mais de 350 milhões de toneladas de grãos no ciclo 2026/27, sendo mais uma safra recorde, qualquer perda de 10% a 15% por manejo inadequado de pragas pode significar algo desastroso. Por isso, o manejo outonal pode ser a chave para minimizar os casos de pragas quarentenárias. Trata-se de controle fitossanitário realizado no período de entressafra, logo após a colheita das culturas de verão, como a soja, por exemplo, e antes do plantio da safra seguinte. 

"É uma janela de segurança vital, cujo objetivo é eliminar as chamadas pontes verdes — plantas daninhas e plantas voluntárias (tiguera) que permanecem no campo e servem de hospedeiras e abrigo para pragas e doenças. Ao realizar o controle químico e o manejo de solo nesse estágio, o produtor interrompe o ciclo de reprodução de plantas daninhas e reduz drasticamente o banco de sementes de invasoras que poderiam comprometer a qualidade do grão futuro", explica Maggioni. 

Para Rizzardi, a introdução de novas espécies vegetais no sistema produtivo de um país é uma questão de soberania nacional. “Qualquer parte de planta, pólen, semente ou propágulo que possa sobreviver e se reproduzir no ambiente é um potencial dano tanto ao sistema produtivo local ou mesmo ao processo de exportação da produção agrícola”, relata. O professor conta ainda que a presença de pragas quarentenárias é uma via de mão dupla. “Tanto a entrada de pragas quanto a saída delas via exportação de espécies vegetais proibidas no país importador afeta o potencial exportador de grãos do Brasil”.

Muitas das sementes de plantas daninhas proibidas por mercados exigentes, como o chinês, proliferam justamente nesse período de transição se a área for deixada sem tratamento. Manter o campo limpo no outono garante que a próxima safra se desenvolva em um ambiente com baixa pressão de pragas, reduzindo o risco de contaminação cruzada durante a colheita e o beneficiamento. 

Sendo assim, de acordo com o coordenador de boas práticas da companhia, o controle de plantas daninhas na pós-colheita - Manejo Outonal - como estratégia fitossanitária é a primeira e mais importante barreira para assegurar que o lote de exportação saia da fazenda livre de organismos que poderiam causar o embargo de navios inteiros nos portos de destino. 

Para Fabrício Morais Rosa, Diretor Executivo da Aprosoja Brasil, os episódios recentes de devolução de 20 navios pela China mostram que a conformidade fitossanitária não é opcional. "Com esta Cartilha, a Aprosoja Brasil continuará com o compromisso assumido de alertar os produtores sobre a identificação equivocada de pragas quarentenárias a fim de manter em alta a reputação da soja brasileira frente aos compradores externos", afirma.

Treinamento de boas práticas para o manejo de pragas

Além do lançamento teórico, a Corteva reforça seu compromisso prático com o setor através do seu Caminhão de Boas Práticas Agrícolas. A unidade móvel estará na capital federal durante o lançamento do documento e do 2º Congresso Brasileiro de Produtores de Soja, realizado pela Aprosoja, levando treinamento técnico diretamente aos consultores, produtores e entidades do setor. O caminhão é equipado com tecnologias interativas que simulam condições de campo, permitindo que os participantes visualizem o impacto de uma aplicação correta e o uso de tecnologias de manejo integrado.

Durante os treinamentos realizados no caminhão, o foco vai além da produtividade, abordando a sustentabilidade e a segurança do trabalhador rural através do uso correto de EPIs e da preservação de áreas de refúgio. A metodologia é dinâmica e prática: os participantes passam por estações de aprendizado que simulam os desafios reais do dia a dia no campo, permitindo que as orientações da nova cartilha sobre pragas quarentenárias sejam aplicadas de imediato. Ao unir o suporte teórico da Aprosoja Brasil com a expertise técnica da Corteva, a iniciativa busca padronizar um nível de excelência operacional que protege não apenas a rentabilidade da fazenda, buscando padronizar o nível de excelência no campo, garantindo que o grão brasileiro continue sendo sinônimo de qualidade e segurança nos cinco continentes.

“Treinamentos como os de boas práticas realizados pela Corteva, são essenciais para que possamos capacitar cada vez mais produtores e profissionais do campo para que possam realizar o manejo de pragas e doenças da maneira correta, com o uso racional de insumos e utilizando de todas as ferramentas e soluções necessárias”, ressalta o diretor executivo da Aprosoja Brasil.

Saiba quais são as pragas quarentenárias

O MAPA classifica como pragas quarentenárias as seguintes: o Ácaro Hindustânico (Schizotetranychus hindustanicus); a Broca-do-caroço-da-manga (Sternochetus mangiferae); o Cancro Cítrico (Xanthomonas citri subsp. citri), o Cancro da Videira (Xanthomonas campestris pv viticola); o Cancro Europeu das Pomáceas (Neonectria ditissima); o Caruru-palmeri (Amaranthus palmeri); o Greening (Candidatus Liberibacter asiaticus e Candidatus Liberibacter americanus); a Moko da Bananeira (Ralstonia solanacearum raça 2); a Mosca-da-carambola (Bactrocera carambolae); o Caruru-gigante (Amaranthus palmeri) e a Vassoura-de-bruxa da Mandioca (Rhizoctonia theobromae).
 

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