Corteva celebra uma década da Expedição da Agricultura para a Vida
Iniciativa acompanha avanço das tecnologias e adapta treinamentos à realidade rural
Foto: Divulgação
Em uma década, novas tecnologias, equipamentos e formas de aplicação passaram a fazer parte da rotina do campo. Essa transformação também mudou a maneira de capacitar produtores, técnicos e agrônomos. Criada em 2016, a Expedição da Agricultura para a Vida, projeto de capacitação itinerante da Corteva Agriscience, em parceria com a AgroEfetiva, UNESP (Universidade Estadual Paulista) de Botucatu (SP) e Up.Herb, completa dez anos em 2026 com 182 mil quilômetros percorridos entre Brasil e Paraguai e uma proposta que busca aproximar conhecimento técnico das situações encontradas nas propriedades.
Ao longo desse período, a própria estrutura dos treinamentos precisou acompanhar a evolução da agricultura. Segundo Andreza Fantine, Líder de Stewardship da Corteva Agriscience para América Latina, novas tecnologias chegam constantemente e acabam criando também novas necessidades de capacitação.
“A verdade é que a agricultura é muito inovadora. A cada ano chegam novidades. E, quando a gente pensa em tecnologia de aplicação, a cada ano surge uma ideia, uma novidade diferente”, afirma.
A mudança pode ser observada, por exemplo, na incorporação dos drones às discussões sobre tecnologia de aplicação. Andreza lembra que, até dois anos atrás, o simulador de deriva utilizado pela iniciativa era direcionado apenas às aplicações terrestres. Atualmente, a ferramenta também permite exemplificar as aplicações realizadas com drones.
A adaptação, segundo ela, faz parte de uma busca por aproximar cada vez mais as ferramentas didáticas das situações encontradas pelos produtores no dia a dia.
“Cada vez mais, a gente vem buscando maneiras de integrar essa didática à realidade, buscando mais eficiência nas aplicações e, consequentemente, um melhor aproveitamento dos produtos”, explica.
A evolução tecnológica também amplia a quantidade de decisões envolvidas nas operações agrícolas. Para Alisson Mota, pesquisador da AgroEfetiva, a capacitação tem papel importante por fornecer informações que permitam ao produtor analisar diferentes situações, em vez de simplesmente repetir um procedimento.
“O treinamento é importante para dar informações para que o produtor tenha repertório para uma melhor tomada de decisão. Assim, ele consegue saber como lidar com cada situação, e não seguir uma receita de bolo”, afirma.
Na tecnologia de aplicação, área de atuação do pesquisador, decisões relacionadas à regulagem dos equipamentos, condições meteorológicas, tamanho de gotas, pressão e velocidade de operação podem interferir na qualidade da pulverização.
Durante as capacitações, um dos recursos utilizados é o simulador de deriva. A ferramenta permite visualizar situações que, segundo Mota, nem sempre podem ser observadas da mesma maneira durante uma aplicação realizada no campo.
Um dos exemplos apresentados é a escolha da ponta de pulverização. Por meio da demonstração, o participante consegue observar as diferentes pontas de aplicação e avaliar qual configuração se adapta melhor à situação de manejo.
“O produtor precisa ter informação para conseguir realmente melhorar a qualidade da aplicação dele. Isso vai resultar em uma aplicação que vai agir da maneira como é esperada”, diz.
O pesquisador também destaca a necessidade de respeitar as condições meteorológicas e as recomendações previstas em bula, além de regular corretamente os equipamentos para reduzir o potencial de deriva.
Nas aplicações terrestres, entre os pontos destacados estão o controle da pressão e da velocidade de operação, evitando oscilações excessivas da barra. Nas aplicações aéreas, o tamanho adequado das gotas e a regulagem do equipamento também fazem parte dos cuidados discutidos durante os treinamentos. “Precisamos trabalhar para evitar a perda dos produtos por deriva. Precisamos entender o potencial de deriva da aplicação, pois quando a gente “enxerga" à deriva, significa que ela já aconteceu e pode ter causado um problema”, afirma Mota.
A estrada virou extensão da sala de aula
A Expedição da Agricultura para a Vida utiliza um caminhão-escola equipado com recursos interativos para levar os treinamentos às regiões produtoras. Entre as ferramentas apresentadas estão maquetes de pontas de pulverização, recursos de realidade virtual e estruturas voltadas à demonstração das boas práticas agrícolas.
As capacitações abordam cinco frentes de conhecimento: tecnologia de aplicação, manejo integrado de pragas, manejo integrado de plantas daninhas, manejo integrado de doenças e segurança do trabalhador, com atenção ao uso correto de equipamentos de proteção individual.
O público inclui produtores rurais, agrônomos, técnicos, consultores e estudantes.
A definição dos locais visitados parte das demandas identificadas no campo. De acordo com Andreza, agrônomos, promotores de campo, distribuidores e representantes comerciais da Corteva mantêm contato com clientes e encaminham as necessidades para a área de Boas Práticas Agrícolas da companhia. “Recebida a demanda, organizamos a estrutura, que envolve uma logística desafiadora. Costumamos ficar estabelecidos em um local, e os agricultores e clientes daquela região vêm aproveitar as estruturas já organizadas e as capacitações”, explica.
Em um dia, segundo Andreza, podem ser organizadas duas turmas com 20 participantes cada. A estrutura normalmente permanece cerca de uma semana em uma mesma região.
Os dez anos do projeto registram um período de mudanças importantes na forma como tecnologias agrícolas são utilizadas.
Um outro movimento apontado pela empresa é a tentativa de transformar a capacitação em uma experiência mais próxima das situações práticas enfrentadas por agricultores, técnicos e agrônomos. “Quando o agricultor, o técnico agrícola ou o agrônomo entra dentro do caminhão, que é uma sala de aula, conseguimos trazer uma experiência”, afirma Andreza. Essa aproximação entre demonstração e prática busca contribuir para a eficiência no uso dos produtos e para a adoção de boas práticas agrícolas.
Segundo Andreza, a empresa também relaciona esse trabalho à longevidade das tecnologias agrícolas disponíveis no mercado. “Trazer uma experiência é o que a Corteva entende como uma boa forma de, primeiro, trazer eficiência no uso dos produtos com as boas práticas agrícolas e também aumentar a longevidade desses produtos agrícolas”, diz.
Congresso Brasileiro do Algodão marca comemoração
Parte da celebração dos dez anos ocorreu durante o 15º Congresso Brasileiro do Algodão, realizado em Belo Horizonte, em 2026. A escolha do evento está relacionada, segundo a Corteva, ao perfil técnico dos participantes e à possibilidade de interação direta com produtores. “O cotonicultor é um produtor muito tecnificado. A troca com esse público é muito importante para nós”, afirma Andreza.
Ela destaca que o contato com os participantes também funciona como fonte de aprendizado para o próprio programa.
“A cada troca com os agricultores, surgem cada vez mais ideias para que a gente possa melhorar o nosso programa de capacitação. E, ao mesmo tempo, conseguimos levar a eles uma outra perspectiva do que já acontece no campo, na prática, com as ferramentas inovadoras que temos aqui.”
Depois de dez anos acompanhando mudanças na agricultura, a perspectiva apresentada pela companhia é continuar adaptando a capacitação às novas tecnologias e às demandas encontradas nas regiões produtoras. Para Andreza, o caminho passa por tornar os treinamentos cada vez mais próximos da experiência prática de quem toma decisões no campo. Em um ambiente em que máquinas, ferramentas e formas de aplicação continuam mudando, a capacitação também precisa evoluir para acompanhar essa transformação.