Cotações da soja disparam
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Soja

Cotações da soja disparam

Motivo principal deste movimento é o clima nos EUA
Por: -Aline Merladete

As cotações da soja dispararam nesta semana, com o primeiro mês cotado chegando a US$ 8,89/bushel no fechamento desta quinta-feira (30/05), com ganhos de 68 pontos sobre o fechamento de uma semana antes.  Vale destacar que o farelo subiu bastante, atingindo a US$ 327,40/tonelada curta no dia 30/05, mais alto valor desde meados de outubro de 2018. 

O motivo principal deste movimento é o clima nos EUA, o qual continua atrasando o plantio de milho e soja. Por enquanto, o mercado não está considerando suficientemente a possibilidade concreta de aumentar a área semeada com soja em detrimento do milho, e deixou de lado a realidade do conflito comercial entre EUA e China e mais os efeitos nocivos da peste suína africana no país asiático. 

Neste último caso, pesou o anúncio da FAO de que o abate de suínos na China, devido a peste, teria sido, até agora, de apenas pouco menos de 2 milhões de animais, diante de informações de setores privados que falam em até metade do rebanho nacional (perto de 200 milhões de cabeças abatidas ou a abater) e que a recuperação da produção levará de três a quatro anos. Esta enorme diferença nos números acaba desvirtuando o mercado, porém, o quadro mais concreto tende a ser o indicado pela iniciativa privada.

Quanto ao conflito comercial, a China indicou que não vai continuar as negociações com os EUA enquanto este país prosseguir com “práticas erradas”. Ao mesmo tempo, o governo chinês anunciou que está pronto para usar terras raras (minérios raros) que exporta para os EUA como medida de retaliação na guerra comercial. Já o presidente dos EUA disse que o país não está pronto para fechar um acordo comercial com a China. Estas declarações complicam ainda mais a possibilidade de um encerramento do conflito, o qual, agora, ninguém sabe quando poderá ocorrer.

Pelo sim ou pelo não, na área da soja o fato é que a China importou 7,64 milhões de toneladas do grão no mês de abril, com aumento de 10,4% sobre abril de 2018, acumulando um total de 24,4 milhões de toneladas nos quatro primeiros meses do ano, o que resulta em recuo de 7,9% sobre o mesmo período do ano passado. Tais importações se deram junto aos três principais produtores mundiais: EUA, Brasil e Argentina. (cf. Safras & Mercado)

Entretanto, o elemento central das altas em Chicago está no clima chuvoso sobre o Meio Oeste estadunidense, o qual atrasa consideravelmente o plantio. Lembrando que a janela de semeadura para a soja vai até o dia 15/06, informações do USDA deram conta de que até o dia 26/05 o referido plantio havia atingido apenas 29% da área esperada, contra 74% no ano passado e 66% na média histórica para esta época. O mercado esperava uma percentagem ao redor de 31%. E havia previsão de continuidade das chuvas para o restante de maio. 

Quanto as exportações líquidas estadunidenses de soja, referentes ao ano comercial 2018/19, iniciado em 1º de outubro passado, o volume atingiu a 535.800 toneladas na semana encerrada em 16/05. Para o ano comercial 2019/20 o volume ficou em 5.100 toneladas. No somatório, o volume ficou dentro das expectativas do mercado.

Já as inspeções de exportação atingiram a 532.881 toneladas na semana encerrada em 23/05, acumulando um total de 33,7 milhões de toneladas no ano comercial 2018/19, contra 46,2 milhões no mesmo período do ano anterior.

Na Argentina, a comercialização da safra 2017/18, até o dia 08/05, havia atingido a 38,4 milhões de toneladas, ficando em 101% da produção anunciada do país para aquele ano, fato que indica a venda de estoques igualmente. Quanto a colheita da safra 2018/19, o Ministério da Agricultura argentino indicou que ela atingiu a 82% da área no dia 23/05, contra 74% no ano passado na mesma data. Lembrando que neste ano a safra argentina será cheia, girando ao redor de 55 milhões de toneladas.

No Brasil, o câmbio finalmente recuou abaixo de R$ 4,00 por dólar durante a semana, chegando a R$ 3,96 no dia 30/05. Já os prêmios nos portos, confirmando a tendência, recuaram no final da semana, fechando entre US$ 0,85 e US$ 1,10/bushel. Estes dois fatores somados anularam em parte a forte elevação em Chicago durante a semana. Mesmo assim, a média gaúcha no balcão subiu para R$ 70,85/saco, enquanto os lotes giraram entre R$ 79,00 e R$ 79,50/saco. Nas demais praças nacionais os lotes ficaram entre R$ 66,00 em Sorriso (MT) e R$ 81,00 em Campos Novos (SC), passando por R$ 78,00 no norte do Paraná; R$ 71,00 em São Gabriel (MS); R$ 70,00 em Goiatuba (GO); R$ 73,00 em Pedro Afonso (TO); e R$ 77,00/saco em Uruçuí (PI).

Por sua vez, as exportações de soja em grão por parte do Brasil, nos primeiros 17 dias úteis de maio, atingiram a um total de 8,24 milhões de toneladas, com a média de US$ 347,20/tonelada.  

Segundo Safras & Mercado, a produção final de soja no Brasil, neste ano 2018/19, teria chegado a 117,9 milhões de toneladas. Deste total, 72,5 milhões serão exportadas e 42,5 milhões serão esmagadas para a produção de farelo e óleo. A produção de farelo renderia 32,4 milhões de toneladas, sendo que deste total 14 milhões seriam exportadas e 17 milhões consumidas internamente. Já a produção de óleo de soja alcançaria 8,46 milhões de toneladas, com 700.000 toneladas exportadas e 7,8 milhões consumidas internamente. Deste último total, 3,8 milhões seria consumido sob forma de biodiesel, confirmando que o advento do biodiesel não levou, em particular, a um aumento na produção de óleo de soja mas sim a uma redução das exportações do subproduto, assim como do seu consumo humano.


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