Cotonicultor de Sinop (MT) desiste de plantar algodão
Os motivos são os altos custos de produção e baixos preços de venda do algodão
Os altos custos de produção e baixos preços de venda do algodão, na região Norte de Mato Grosso, têm feito com que as áreas plantadas sejam cada vez menores no Estado. É o que está acontecendo no município de Sinop. Embora ainda não haja uma estimativa da redução da área plantada, cada vez mais surgem produtores diminuindo o plantio ou até deixando de plantar.
Um dos poucos cotonicultores do município, o empresário Jaime Luiz de Marchi, desistiu da safra 2005/06 e afirmou, ao Só Notícias, que o motivo é justamente esse: inviabilidade de obtenção de lucros. “Não plantei na última safra e não vou plantar na próxima. Está totalmente inviável plantar um hectare de algodão sequer, em Sinop. Os custos estão muito altos e ninguém quer pagar bem pelo produto”, acrescenta, revoltado com a situação.
Só Notícias apurou que, atualmente, o custo de produção por arroba de algodão é em média R$ 45 e o preço de venda está em torno de R$ 32. “O preço normal da arroba é de R$ 46 a R$ 50. A R$ 32 não dá pra vender”, acrescenta Jaime.
O cotonicultor informou ainda que na última safra em que plantou, setembro de 2004, sua área foi de 300 hectares, o que lhe rendeu 260 arrobas de algodão, que ainda estão estocadas. “Eu já cheguei a plantar 1,1 mil hectares, caí para 400, voltei para 600, na última safra foi 300, a menor área que já plantei e ainda assim não comercializei nada o que colhi. Estou com a produção toda estocada desde o ano passado, esperando que o preço melhore”, reforça.
Além do encarecimento da produção de algodão, essa cultura está perdendo espaço para a cultura da soja, que está com custo de produção estimado em R$ 1,2 mil por hectare, o que permite a geração de receita bruta de R$ 1,3 mil.
“Infelizmente essa é a realidade que estamos vivendo. Enquanto os custos para algumas culturas têm sido menores que outras, alguns produtores são beneficiados, como é o caso dos sojicultores, e outros são prejudicados, como os cotonicultores. Se esse quadro não se alterar, ficará cada vez mais difícil atravessar a crise econômica da região”, afirmou, o presidente do Sindicato Rural de Sinop, Antonio Galvan.