Crédito rural cai pela metade no início do Plano Safra 26/27
Veja por que o crédito rural começou mais lento
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Os desembolsos de crédito rural começaram o Plano Safra 2026/2027 em ritmo inferior ao registrado no ciclo anterior, com retração também em São Paulo. Segundo dados divulgados pela Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de São Paulo (Faesp), com base no SICOR/BCB, o país liberou R$ 14,1 bilhões em julho, enquanto os produtores paulistas receberam R$ 1,2 bilhão. O valor nacional corresponde a aproximadamente metade dos R$ 28,3 bilhões contratados no mesmo mês da safra passada. No atual ciclo, o montante representa apenas 3,4% dos R$ 416,3 bilhões programados para o crédito rural, descontados os R$ 194 bilhões destinados às CPRs.
Segundo dados divulgados pela Faesp, os R$ 14,1 bilhões desembolsados no país foram distribuídos em 86.573 contratos no primeiro mês de execução do Plano Safra 2026/2027.
O desempenho indica um início mais lento na contratação dos recursos, apesar da programação de R$ 416,3 bilhões para o crédito rural no ciclo. Em São Paulo, a retração foi ainda mais acentuada. O estado registrou R$ 1,2 bilhão em desembolsos, distribuídos em 1.513 contratos. O montante corresponde a 8,5% do total nacional e colocou São Paulo na quinta posição entre os maiores tomadores de crédito.
Segundo dados divulgados pela Faesp, os desembolsos paulistas recuaram 51,8% em relação a julho de 2025, quando haviam alcançado R$ 2,5 bilhões. A redução também apareceu no número de contratos. No mesmo período, a quantidade caiu de 3.881 para 1.513 operações.A retração atingiu todos os segmentos de produtores do estado, indicando uma redução generalizada no acesso ou na contratação dos recursos no início do novo ciclo.
Entre os programas de financiamento, os desembolsos pelo Pronamp recuaram 61%, passando de R$ 771,1 milhões para R$ 301,1 milhões. Para os demais produtores da agricultura empresarial, a redução foi de 48,8%, com os desembolsos chegando a R$ 847,7 milhões. No Pronaf, voltado à agricultura familiar, os recursos contratados caíram 20,8%, para R$ 49,5 milhões. O movimento mostra que a redução não ficou concentrada em apenas um grupo de produtores, mas atingiu diferentes perfis de tomadores de crédito rural em São Paulo.
Entre as finalidades do crédito rural, o investimento apresentou a maior queda no estado. Segundo dados divulgados pela Faesp, as contratações destinadas a essa finalidade diminuíram 78%, passando de R$ 232,3 milhões em julho de 2025 para apenas R$ 51 milhões no mesmo mês de 2026. A retração reduz o ritmo de recursos destinados à expansão ou modernização das atividades agropecuárias, em um momento de início do novo ciclo de financiamento.
Além da queda nos novos desembolsos, o relatório da Faesp chama atenção para a situação financeira dos produtores paulistas. A carteira ativa de crédito rural do estado soma R$ 71,6 bilhões. Desse total, R$ 12,9 bilhões estão classificados como operações problemáticas. A categoria reúne contratos em atraso, inadimplentes, prorrogados ou renegociados.
Segundo dados divulgados pela Faesp, em junho de 2025 o estoque de operações problemáticas era de R$ 8,3 bilhões. O avanço para R$ 12,9 bilhões indica uma expansão expressiva das dificuldades financeiras enfrentadas pelos produtores.
Os números reforçam a necessidade de acompanhar a execução do Plano Safra 2026/2027 e, principalmente, as condições efetivas de acesso ao financiamento. O novo ciclo incorporou redução das taxas de juros em algumas linhas e ampliação dos itens financiáveis. Até o momento, porém, essas mudanças ainda não se traduziram em aumento das contratações. O ritmo dos desembolsos e a evolução das operações problemáticas devem permanecer no radar do setor, especialmente diante da importância do crédito rural para o custeio, os investimentos e a continuidade das atividades agropecuárias.