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Crédito rural pode ter risco menor que o soberano

A lógica parte da origem dos recursos usados para pagar uma dívida


A lógica parte da origem dos recursos usados para pagar uma dívida A lógica parte da origem dos recursos usados para pagar uma dívida - Foto: Pixabay

A relação entre a moeda da receita e a moeda da dívida pode alterar de forma significativa o risco de crédito de empresas e produtores ligados à exportação. Segundo Drew Crawford, assessor de capital transfronteiriço, essa dinâmica ajuda a explicar por que uma fazenda de soja pode, em determinadas condições, representar um risco de crédito menor do que o próprio país onde está localizada.

A lógica parte da origem dos recursos usados para pagar uma dívida. Governos arrecadam principalmente em moeda local e precisam convertê-la em dólares para honrar compromissos denominados na moeda americana. Já uma fazenda que exporta sua produção pode receber diretamente em dólar, reduzindo esse descasamento.

Essa diferença passou a ser considerada pelas agências de classificação de risco a partir do fim dos anos 1990, quando algumas empresas começaram a receber notas superiores às de seus próprios governos. No Brasil, Crawford cita o caso da Suzano, produtora de celulose que possui classificação acima da nota soberana nas três grandes agências e obtém a maior parte de suas receitas com compradores internacionais.

O mesmo raciocínio pode ser aplicado ao financiamento agrícola. Muitas fazendas brasileiras continuam tomando crédito em reais, mesmo quando parte relevante da receita vem de exportações. Nesse cenário, altas dos juros domésticos combinadas com quedas nos preços dos grãos podem aumentar a pressão financeira sobre operações economicamente saudáveis.

Crawford avalia que uma alternativa seria estruturar empréstimos em dólar vinculados a safras já comercializadas com grandes compradores internacionais. O pagamento poderia ser direcionado pelo comprador diretamente ao credor, com a operação estruturada por meio de CPR com liquidação física. A ideia central é alinhar a moeda da dívida à moeda da receita, reduzindo riscos provocados por oscilações cambiais e pelo custo do crédito doméstico.

 

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