Crise ameaça oferta de fertilizantes no país
O milho de verão aparece como a cultura mais vulnerável
O milho de verão aparece como a cultura mais vulnerável - Foto: Divulgação
A oferta de fertilizantes para a safra de verão no Brasil entrou em fase de maior atenção diante do risco de encarecimento dos insumos e de atrasos nos fluxos internacionais antes do plantio de outubro. A avaliação é de Gabriel Diniz Faleiros, analista de mercado, em relatório da S&P Global sobre os efeitos do conflito no Oriente Médio sobre preços, disponibilidade e margens agrícolas.
Segundo o levantamento, a crise provocada pelo conflito colocou os produtores brasileiros em uma posição mais difícil, especialmente pela alta superior a 60% nos preços dos nitrogenados e pela restrição severa na oferta de fosfatados. O cenário afeta diretamente a economia da produção agrícola, em um momento em que os produtores já enfrentam margens negativas para expansão de área, juros elevados e aumento da inadimplência.
O milho de verão aparece como a cultura mais vulnerável. A análise aponta risco de redução de área e de perdas de produtividade caso haja menor aplicação de nutrientes. O fator tempo amplia a preocupação, já que mesmo uma eventual interrupção rápida do conflito não eliminaria os impactos imediatos. A normalização dos fluxos de oferta poderia levar cerca de quatro meses, aproximando o mercado de um ponto crítico para a janela de plantio de outubro.
No caso dos nitrogenados, a China segue como principal fornecedor do Brasil, mas restrições recentes às exportações limitam a possibilidade de alívio no curto prazo. Para os fosfatados, países como Marrocos e Rússia poderiam ampliar embarques, porém o mercado global de enxofre permanece apertado, o que restringe a recomposição da oferta.
O relatório indica que os próximos meses serão decisivos para acompanhar os fluxos de importação, sobretudo entre abril e agosto, período considerado crítico para a chegada de fosfatados ao país. Caso condições de El Niño se confirmem, elas poderiam reduzir parte das perdas de produtividade no Sul, mas também agravar o quadro em estados do Norte.