Crises sucessivas prejudicam a cafeicultura brasileira

Agronegócio

Crises sucessivas prejudicam a cafeicultura brasileira

Medidas para solucionar os problemas da cafeicultura nunca tiveram o efeito desejado
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A cafeicultura brasileira sofre com sucessivas crises, cujos efeitos vão se acumulando. Atualmente, o setor amarga os problemas do alto custo e baixa remuneração. Levantamento realizado pelo economista Santo Pulcinelli Filho, do escritório do Deral em Cornélio Procópio, aponta que o café foi uma das culturas que mais tiveram prejuízos nos 15 anos do Plano Real.

O levantamento, realizado com 12 culturas, comparou o valor do produto no dia da implantação do Real ao praticado em 1º de julho deste ano. De acordo com Pulcinelli, enquanto o IGP-M foi de 306,4%, o café teve reajuste de 32%. "Em 1º de julho de 1994, o valor da saca estava entre R$ 156,00 e R$ 180,00. Na mesma data de 2009, esse valor estava entre R$ 215,00 e R$ 230,00", diz Pulcinelli. Se o IGP-M fosse aplicado, a saca de café deveria valer hoje entre R$ 633,98 e R$ 731,52.

Por outro lado, a maioria dos insumos da cafeicultura teve reajuste igual ou superior à inflação. O cloreto de potássio, por exemplo, foi reajustado em 757%, a uréia em 375% e o formulado de NPK teve reajuste de 536%. O salário mínimo foi reajustado em 718%. O valor pago pela colheita teve aumento de 613% e a capina manual, 655%. (ver infográfico nesta página).

Segundo Pulcinelli, os produtores relatam estar muito desanimados. "Um deles me disse que a situação é igual a um caminhão carregado que desce uma ladeira sem freio e sem perspectivas de se livrar do despenhadeiro que está à frente", diz. "As medidas que estão sendo negociadas são apenas paliativas", avalia. O técnico acrescenta que o endividamento é o que mais aflige os produtores e aumenta proporcionalmente ao envolvimento com a cultura.

Medidas para solucionar os problemas da cafeicultura nunca tiveram o efeito desejado. De acordo com Pulcinelli, a primeira crise aconteceu em 1906, quando o governo proibiu o plantio de café, com o Acordo de Taubaté. Porém, com o avanço da cafeicultura no Norte do Paraná, o pacto se desfez. A solução encontrada pelo governo para a segunda crise, iniciada em 1929, foi a incineração de 25 milhões de sacas de café.

Para ajustar os estoques, em 1960 o governo optou por reduzir lavouras e 1,4 bilhão de pés foram arrancados - o governo pagou 1 cruzeiro por pé de café retirado. Naquele ano, o Paraná produziu 21 milhões de sacas, que corresponderam a 38% da produção mundial. Em 1990, a crise foi enfrentada com a contenção de 20% das cotas de exportação.


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