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Cultivo da laranja busca mais terras no Noroeste do Paraná

Região esbarra nos custos de implantação de laranjais e na longa espera pelo retorno do investimento


O plantio de laranjas no Noroeste do Paraná (leia-se Paranavaí e cidades localizadas na órbita do município), iniciado nos anos 80, foi apontado como a "redenção econômica da região" por acenar com uso mais racional do solo, até então ocupado pela criação quase extensiva de bovinos.

Além de representar alternativa de renda para o produtor, a cultura chegou com a missão de fixar o homem no campo num momento de intenso êxodo rural. Mais de duas décadas depois que a laranja começou a dividir espaço com os bois, a citricultura tornou-se essencial à economia do Noroeste ao superar dificuldades impostas pelo lobby dos produtores paulistas e mais ainda pela pobreza do arenito-caiuá, solo de baixa fertilidade, considerado propenso à disseminação de doenças em função da frágil composição. Mas nada que a tecnologia não fosse capaz de resolver, como bem demonstraram os pesquisadores.

“O solo arenoso tem em torno de 15% de argila, partículas ativas do solo que seguram os nutrientes. O resto é areia”, explica Pedro Auler, pesquisador do Instituto Agronômico do Paraná (Iapar) de Paranavaí, diagnóstico que, junto com os altos custos da atividade, ajudou a desencorajar produtores. Hoje, a laranja ocupa apenas 12 mil dos 200 mil hectares de terras agricultáveis do Noroeste. A cultura gera cerca de dois mil empregos diretos e indiretos.

Paranavaí é referência estadual da cultura e abriga duas indústrias que absorvem a produção regional para a fabricação de suco concentrado. A Citri, fundada em 2001, reúne 58 produtores e processa dois milhões de caixas a cada safra, mas a empresa pretende duplicar a produção ano que vem com o aumento do número de produtores associados. Apenas 2% do suco produzido fica no país. O resto abastece mercados da Europa e do Oriente Médio.

A expansão da área plantada esbarra nas dificuldades de financiamento e não mais na inaptidão do solo, superada com tecnologia e novos cultivares. A descoberta de novos cultivares, como a "Iapar 73", desenvolvido por pesquisadores do Instituto Agronômico do Paraná, proporcionou aos produtores mais três meses de produtividade.

Pesquisadores também aperfeiçoaram novas técnicas de manejo dos laranjais e recursos de combate ao cancro cítrico, mais graves doenças da citricultura.

A instabilidade do mercado internacional, a resistência do produtor em migrar para uma atividade sem tradição na região e demora no retorno do investimento ajudam a explicar o pouco espaço ocupado pela citricultura nas terras do Noroeste. Apesar disso, as expectativas ainda são otimistas.

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