Falta de potássio pode reduzir qualidade da fibra de algodão
Sintomas de deficiência aparecem tarde
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O estádio reprodutivo do algodão fase que vai do aparecimento dos botões florais até o enchimento e a abertura das primeiras maçãs é o período de maior exigência de Potássio (K) na cultura. De fevereiro a setembro, quando lavouras de estados algodoeiros como Bahia e Mato Grosso estão em plena formação de maçãs, falhas na adubação potássica em cobertura podem resultar em queda de estruturas reprodutivas, maçãs menores, fibras mais curtas e menor retorno econômico ao final da safra.
Esse período é considerado o mais sensível ao equilíbrio nutricional do algodoeiro. Estudos da Embrapa e de universidades brasileiras mostram que o Potássio, junto com o Nitrogênio, é o nutriente mais absorvido pela planta, com absorção elevada até fases avançadas de enchimento de maçãs. Em ambientes de alta produtividade, clima quente e chuvas irregulares, a oferta de Potássio no solo tende a se tornar limitante especialmente quando a adubação de base foi insuficiente ou houve perda do nutriente por lixiviação em solos arenosos.
Transporte de energia e regulação hídrica
O potássio atua principalmente em funções de transporte e regulação dentro da planta, mais do que como componente estrutural. Ele é essencial para o carregamento de açúcares no floema, tecido responsável por levar os produtos da fotossíntese das folhas até as maçãs. Em situação de deficiência, a planta continua produzindo esses açúcares, mas perde eficiência em direcioná-los às maçãs, o que reduz o enchimento e o peso final das estruturas.
O nutriente também regula a abertura e o fechamento dos estômatos poros nas folhas que controlam a perda de água e a entrada de gás carbônico usado na fotossíntese. Em condições de calor intenso e veranicos, comuns entre fevereiro e setembro em diversas regiões produtoras, um bom suprimento de potássio melhora a eficiência no uso da água pela planta e reduz o abortamento de flores e maçãs jovens sob estresse. Há ainda relação direta entre boa oferta de potássio e maior comprimento e uniformidade de fibra, com maturação mais estável das maçãs e abertura de capulhos mais uniforme.
Sintomas de deficiência aparecem tarde
Entre os efeitos da falta de potássio na fase reprodutiva estão o abortamento de flores e maçãs jovens, a redução no tamanho e peso das maçãs, a perda de área foliar funcional com clorose (amarelecimento) e necrose (queima) nas bordas de folhas mais velhas e o comprometimento da qualidade de fibra, que tende a ficar mais curta e menos resistente. Um agravante é que os sintomas visuais só aparecem quando a deficiência já está instalada e parte do potencial produtivo já foi perdida, por isso a recomendação técnica é antecipar a decisão com base em análises de solo e folha, e não esperar os sinais no campo.
O excesso de potássio também traz riscos. Doses concentradas de cloreto de potássio podem gerar desequilíbrio com magnésio e cálcio, aumentar a salinidade da solução do solo sobretudo em solos de baixa capacidade de troca de cátions (CTC) e representar custo de insumo sem retorno proporcional em produtividade.
Quando e como ajustar a cobertura
A decisão de complementar potássio em cobertura deve considerar a análise de solo pré-plantio, a análise foliar no início do reprodutivo, a carga de maçãs e o vigor vegetativo da lavoura, as condições climáticas do período com atenção a veranicos e temperaturas elevadas e o histórico de exportação do nutriente na área. Lavouras com alto potencial produtivo e grande formação de estruturas reprodutivas costumam demandar mais potássio do que o planejado na adubação de base.
Na prática, o ajuste envolve revisar o balanço entre a quantidade de potássio já aplicada e a necessidade estimada para a produtividade esperada, seguido da definição de uma estratégia de parcelamento das aplicações. Entre as práticas mais comuns estão a aplicação de cloreto de potássio no solo, fracionada entre o início do botão floral e o início do enchimento de maçãs, a fertirrigação em sistemas irrigados, com aplicações semanais ou quinzenais, e complementações foliares em situações específicas de estresse que funcionam como reforço pontual, sem substituir a nutrição via solo.
Como fonte de potássio, o cloreto de potássio é o mais utilizado, por seu menor custo e alta solubilidade, exigindo atenção ao teor de cloro em condições de baixa umidade. O sulfato de potássio é uma alternativa quando se busca evitar excesso de cloro ou aproveitar o enxofre, geralmente direcionado a situações específicas.
Efeito depende de manejo integrado
A resposta da lavoura à adubação potássica em cobertura depende também de outras frentes de manejo. A disponibilidade de água no solo influencia diretamente a absorção do nutriente pelas raízes, o que reforça a importância da irrigação nas fases de maior demanda. O uso de reguladores de crescimento, por sua vez, ajuda a equilibrar o desenvolvimento vegetativo e reprodutivo quando combinado a uma nutrição potássica adequada o oposto, doses altas de regulador com potássio limitado, tende a agravar desequilíbrios e prejudicar o enchimento das maçãs. Já o controle de pragas, doenças e plantas daninhas contribui indiretamente, já que plantas debilitadas ou sob competição perdem capacidade de aproveitar o potássio aplicado.
A aplicação de fertilizantes potássicos deve seguir as normas de segurança do trabalho, com uso de Equipamentos de Proteção Individual (EPIs), e o planejamento da adubação deve ser elaborado ou validado por engenheiro agrônomo, com base em análises de solo, folha e no histórico da propriedade evitando doses fixas aplicadas sem considerar as condições específicas de cada lavoura.