Sensores de clorofila podem reduzir uso de reguladores no algodão
Tecnologia aplica regulador conforme necessidade da planta
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Sensores de clorofila instalados em bicos Pulverizadores permitem aplicar reguladores de crescimento no algodão de acordo com a necessidade de cada planta, em tempo real. Testes realizados pela Zait.ag em uma fazenda no Oeste da Bahia, durante a safra 2025/26, mostraram a viabilidade da tecnologia Weed-it para variar a taxa de aplicação conforme a biomassa identificada na lavoura.
Em vez de aplicar uma dose única em toda a área, o sistema identifica diferenças no desenvolvimento das plantas e ajusta automaticamente a quantidade de produto. A estratégia busca tornar o talhão mais uniforme e evitar o excesso de regulador em plantas que ainda não necessitam do produto.
Além dos resultados de campo, pesquisas acadêmicas citadas no material mostram que, em áreas com grande variabilidade, a aplicação em taxa variável resultou em economia de 17% a 18% no uso de reguladores de crescimento vegetal no algodão.
Os testes conduzidos pela Zait.ag foram realizados em 560 hectares, divididos em quatro talhões de 140 hectares. Ao longo da safra 2025/26, foram feitas sete aplicações de regulador de crescimento para avaliar a resposta da tecnologia às diferenças de desenvolvimento da cultura.
A principal inovação está na capacidade de alterar a taxa de aplicação em tempo real, com resolução de até 25 centímetros e sem a necessidade de elaborar previamente um mapa de prescrição. “O sensor identifica a biomassa por meio da leitura da clorofila e o sistema ajusta automaticamente a dose: quanto menor a clorofila, menor a taxa; quanto maior a clorofila, maior a taxa. De acordo com as especificações apresentadas no material técnico, a taxa pode variar em até quatro vezes, sem alterar a pressão de trabalho, o tamanho das gotas ou a distribuição do leque”, explica Marcos Ferraz, vice-presidente da Zait.ag.
A tecnologia ganha relevância principalmente em áreas com grande variabilidade no desenvolvimento das plantas. No Pivô 01 B, por exemplo, havia algodoeiros com alturas entre 10 e 70 centímetros no momento da aplicação, devido a diferenças de plantio e replantio.
Nesse cenário, uma aplicação uniforme poderia submeter plantas ainda pequenas a uma dose de regulador superior à necessidade. Segundo a análise dos mapas, a aplicação variável contribuiu para a homogeneização do desenvolvimento das plantas.
O regulador de crescimento atua diretamente sobre o desenvolvimento vegetativo do algodoeiro. O cloreto de mepiquat, utilizado no experimento, reduz o crescimento em altura e no comprimento dos ramos produtivos, direcionando a energia da planta para processos reprodutivos.
Os dados coletados durante o experimento mostram que o sistema consegue identificar a variabilidade existente no talhão e responder a ela durante a própria operação. No primeiro conjunto de dados analisado no Pivô 01 B, o índice de clorofila predominante ficou entre 0,3 e 0,6, enquanto as taxas aplicadas se concentraram entre 60 e 80 litros por hectare.
O gráfico de dispersão analisado no experimento também mostrou uma relação positiva entre o índice de clorofila e a taxa aplicada. Conforme a clorofila aumentava, a dose de regulador também aumentava. “Esse comportamento representa uma mudança importante em relação à taxa fixa. Na aplicação convencional, a mesma dose é definida para toda a área, independentemente das diferenças entre plantas. Na taxa variável, o produto é direcionado conforme a real necessidade da cultura, reduzindo a possibilidade de aplicar regulador em excesso sobre plantas que ainda precisam crescer”, orienta Ferraz.
Os testes também registraram diferenças entre a área total dos talhões e a área efetivamente pulverizada em algumas operações. No Pivô 02 B, foram pulverizados 54,11 dos 74,69 hectares, o equivalente a 72,44% da área.
No Pivô 07 A, uma das aplicações atingiu 24,54 hectares de um total de 38,60 hectares, correspondentes a 63,65% da área. Já no Pivô 06 B, foram pulverizados 83 dos 140 hectares, equivalentes a 59,28% da área.
Os resultados mostram como a leitura da cultura durante a operação permite direcionar a aplicação para as áreas que apresentam necessidade. Os mapas gerados pelo sistema também permitem identificar os locais que receberam o produto e comparar essas informações com os mapas de clorofila.
Essa análise possibilita verificar a qualidade e a uniformidade da pulverização, além de identificar regiões com menor desenvolvimento ou falhas na lavoura. “Para o produtor, o ganho potencial está em combinar economia de insumos, precisão operacional e uniformidade da lavoura.”
A tecnologia Weed-it utilizada nos testes conta com sensores de alta sensibilidade capazes de detectar a fluorescência da clorofila e acionar válvulas PWM de resposta rápida. Os bicos são instalados a cada 25 centímetros, permitindo modificar a taxa de aplicação de acordo com a variabilidade encontrada praticamente planta a planta.
O sistema pode realizar o sensoriamento em diferentes condições de luminosidade. Durante a operação, também são gerados mapas e relatórios que podem ser utilizados posteriormente para o monitoramento da lavoura.