Safra recorde pressiona preço do café arábica
Mercado do arábica fechou maio em queda e acendeu alerta no Sul de Minas
Foto: Pixabay
O café arábica entrou em maio sob pressão no Brasil. De acordo com levantamento do Cepea, a aproximação de uma safra 2026/27 de maior volume, combinada ao avanço da colheita, reduziu a sustentação dos preços e levou o indicador da variedade a recuar 8,7% no mês. A expectativa de uma produção recorde de café no Brasil passou a pesar nas negociações. Mesmo com a colheita ainda avançando de forma gradual em algumas regiões, o mercado já começou a incorporar a perspectiva de maior oferta nos próximos meses.
Segundo pesquisadores do Cepea, esse movimento ajudou a enfraquecer as cotações do arábica em maio. O avanço dos trabalhos no campo ampliou a percepção de disponibilidade do produto, o que reduziu o espaço para valorização.
Em maio, o Indicador CEPEA/ESALQ do arábica tipo 6, bebida dura para melhor, posto na capital paulista, teve média de R$ 1.653,92 por saca de 60 kg.
De acordo com dados divulgados pelo Cepea, o valor ficou R$ 157,95 por saca abaixo da média de abril, quando o indicador havia alcançado R$ 1.811,87 por saca. A baixa mensal foi de 8,7%.
O Centro de Pesquisas informou ainda que, ao longo de maio, o indicador chegou aos menores patamares diários desde novembro de 2024, considerando valores reais. A média mensal também foi a menor desde outubro de 2024, quando havia sido de R$ 1.490,14 por saca, com valores deflacionados pelo IGP-DI de abril de 2026.
Apesar da pressão sobre os preços, a entrada da nova safra não ocorreu de forma totalmente acelerada. No campo, pesquisadores do Cepea apontam que a colheita da temporada 2026/27 avançou em ritmo um pouco mais lento durante maio. O atraso relativo esteve ligado à maturação desigual dos grãos e à ocorrência de chuvas pontuais, que dificultaram as atividades em parte das áreas produtoras. Nos últimos dias, porém, a redução das precipitações permitiu a retomada dos trabalhos em praticamente todas as praças acompanhadas pelo Cepea.
Além da queda nos preços, produtores do Sul de Minas Gerais passaram a monitorar possíveis perdas causadas por uma chuva de granizo registrada recentemente. Segundo o Cepea, a preocupação é maior nas regiões de Boa Esperança e Ilicínea, onde cafeicultores ainda avaliam os impactos sobre as lavouras.
Com preços em queda, expectativa de safra cheia e clima ainda exigindo atenção, o mercado do café arábica deve seguir sensível ao ritmo da colheita e à confirmação do volume que chegará ao mercado nas próximas semanas.