Secagem e aeração corretas evitam perdas de milho no silo
Umidade fora do ponto pode causar prejuízo no milho armazenado
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O manejo pós-colheita do milho começa logo após a maturação fisiológica e a colheita das espigas, e reúne operações como secagem, limpeza, transporte, armazenamento e monitoramento dos grãos até a entrega ou o processamento. Conduzir bem essa etapa em silos é decisivo para evitar perdas por umidade elevada, aquecimento, fungos e micotoxinas problema que se agrava entre janeiro e outubro, período em que muitas regiões do país ainda enfrentam clima quente e úmido.
Uma parte significativa das perdas de milho no Brasil ocorre depois da colheita, muitas vezes dentro do próprio silo. Entre as principais causas estão grãos armazenados com umidade acima do recomendado, excesso de impurezas como palha, sabugo triturado, poeira e grãos quebrados, falhas na aeração, ausência de monitoramento de temperatura e umidade, e entrada de água de chuva ou condensação no interior da estrutura. Em regiões de clima quente e úmido, comuns nas safras de verão e safrinha, a combinação de grãos úmidos com altas temperaturas cria ambiente propício ao desenvolvimento de fungos de armazenamento, como Aspergillus e Penicillium, capazes de produzir micotoxinas entre elas aflatoxinas e fumonisinas. Além do risco à saúde animal e humana, esses problemas levam à desclassificação do lote, desconto no preço e até rejeição do milho na entrega.
Umidade é o fator mais crítico
A umidade do grão é considerada o principal ponto de atenção no armazenamento. Para estocagem por poucas semanas, é possível trabalhar com umidade um pouco mais alta, desde que haja boa aeração e alta rotatividade dos grãos. Já para armazenamento por vários meses situação comum entre janeiro e outubro , o recomendado é utilizar teores de umidade mais baixos, que reduzam a respiração dos grãos e a atividade de fungos. Segundo recomendações técnicas da Embrapa e de instituições de pesquisa, quanto mais longo o período de estocagem, mais rigoroso deve ser o controle de umidade, ajustado à realidade climática local e à infraestrutura de secagem e aeração disponível na propriedade.
Preparo do grão antes do silo
O controle de perdas começa antes mesmo de o milho chegar ao silo, em três etapas. A colheita deve ser feita no ponto correto de maturidade, evitando colher com umidade muito alta ou atrasar demais a operação, com a colhedora bem regulada para reduzir a quebra de grãos, que respiram mais e favorecem fungos. Em seguida, a secagem precisa ser rápida, principalmente em dias chuvosos, com temperaturas compatíveis com a finalidade do grão consumo, semente ou indústria e de forma gradual, para evitar fissuras e perda de qualidade. Por fim, a limpeza e a classificação removem impurezas leves e pesadas e parte dos grãos quebrados: cada ponto percentual a mais de impureza eleva o risco de bolsões de aquecimento dentro do silo.
Por que a aeração é indispensável
A aeração consiste em forçar a passagem de ar pela massa de grãos, por meio de ventiladores e dutos, para controlar temperatura e uniformizar a umidade. Ela cumpre quatro funções principais: resfria os grãos, reduzindo respiração e atividade de fungos e insetos; homogeneíza a umidade entre camadas mais secas e mais úmidas; remove odores e gases gerados pela respiração dos grãos; e evita a condensação de água no topo e nas paredes do silo, conhecida como efeito chaminé. Para funcionar bem, a aeração deve usar o ar mais frio e seco disponível geralmente à noite e de madrugada , começar desde o início do enchimento do silo, e não apenas quando o problema já apareceu, e contar com dutos, chapas e grelhas limpos e desobstruídos.
Consequências do descontrole
Quando o milho entra no silo com umidade inadequada, impurezas elevadas e sem plano de aeração, os efeitos aparecem rápido: perda de peso pela respiração acelerada de grãos e fungos, formação de bolsões quentes detectáveis por aumento de temperatura e odor de mofo, desclassificação do lote por aumento de grãos ardidos e quebrados, e risco de contaminação por micotoxinas produzidas por fungos como Aspergillus flavus e espécies de Fusarium o que limita o uso do grão para ração ou consumo humano e exige análises laboratoriais. Poeiras contaminadas por fungos e toxinas também representam risco à saúde de quem manipula os grãos e de animais que consomem a ração.
Checagem antes de armazenar
Antes de descarregar o milho no silo, é recomendável medir a umidade com equipamento calibrado, sem depender de estimativa visual, verificar a temperatura de lotes que ficaram em espera ou passaram por secagem rápida, avaliar o teor de impurezas e grãos quebrados, e confirmar que o silo está limpo, sem resíduos de safras anteriores ou focos de fungos. Se algum desses parâmetros estiver fora do adequado, entram em cena ações corretivas, como secagem adicional, limpeza mais intensa ou destinação rápida do lote mais problemático.
Prevenção depois que o grão já está no silo
Uma vez armazenado, o manejo deve se concentrar em prevenção, já que corrigir um foco de fungos instalado é mais difícil e caro. As práticas recomendadas incluem distribuir o milho em camadas uniformes, evitando concentração de grãos mais úmidos em pontos específicos; ligar a aeração desde que haja altura mínima de grãos, aproveitando os horários mais frescos; verificar periodicamente telhados, vedações e pontos de entrada de água de chuva; monitorar temperatura e odores em diferentes pontos da massa de grãos, de forma sistemática; e manter a higiene do entorno do silo e dos equipamentos de transporte, evitando contaminação cruzada entre lotes.
Entre janeiro e outubro, quando muitos produtores armazenam milho de diferentes safras e janelas de colheita, o manejo pós-colheita precisa estar alinhado ao planejamento da colheita, ao uso combinado de silos e armazéns, à rotação de lotes priorizando o armazenamento prolongado para grãos de melhor qualidade sanitária e à estratégia de comercialização, evitando manter por muitos meses milho com umidade ou qualidade no limite.
O acesso ao interior de silos exige procedimentos de segurança específicos, incluindo uso de equipamentos de proteção individual, cintos de segurança, ventilação adequada e acompanhamento por mais de uma pessoa. O uso de produtos químicos para controle de pragas de armazenamento deve seguir rótulo, bula e receituário agronômico, e o acompanhamento de um engenheiro agrônomo ou profissional habilitado é recomendado para definir estratégias de secagem, aeração e controle de pragas compatíveis com a realidade de cada unidade armazenadora.