Uso de aeronaves pode acelerar o controle em grandes áreas
A decisão deve considerar a pressão dos problemas identificados
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A Aplicação aérea de defensivos pode ser uma alternativa para o controle de pragas e doenças no milho durante a fase reprodutiva, principalmente quando há necessidade de rapidez, dificuldade de acesso à lavoura ou risco de perda do momento adequado para o manejo. A decisão, no entanto, deve considerar a pressão dos problemas identificados, as condições da área, o clima e a viabilidade econômica da operação.
No pendoamento, florescimento e enchimento de grãos, o milho atravessa um período em que danos às folhas, espigas e grãos podem interferir diretamente no desempenho da cultura. Nessa fase, a planta direciona grande parte de sua energia para a formação e manutenção dos grãos, o que aumenta a importância de preservar a área foliar saudável.
Os dados técnicos indicam que ataques de lagartas, percevejos e cigarrinhas, além do avanço de doenças foliares, podem reduzir a área foliar funcional, afetar a polinização, comprometer o enchimento dos grãos ou antecipar a senescência, processo natural de envelhecimento dos tecidos da planta.
Uma redução significativa da área foliar verde durante o enchimento também pode diminuir o peso de mil grãos e afetar a produtividade final.
Entre as pragas que exigem atenção está a Spodoptera frugiperda, conhecida como lagarta-do-cartucho, principalmente quando continua atacando folhas ou espigas. Percevejos também podem provocar danos aos grãos em formação.
Outro inseto citado entre os alvos de monitoramento é a cigarrinha-do-milho, Dalbulus maidis, responsável pela transmissão de enfezamentos e viroses. Nesse caso, as informações técnicas ressaltam que o controle durante o período reprodutivo deve fazer parte de uma estratégia mais ampla de manejo.
Entre as doenças estão a ferrugem comum, a ferrugem-polissora e manchas foliares, como a mancha branca. Esses problemas podem reduzir a quantidade de folhas saudáveis e acelerar a senescência da planta.
Também há atenção para podridões de espiga e colmo. Para problemas localizados na espiga, porém, o controle direto por aplicação aérea enfrenta uma dificuldade adicional, já que a palha pode limitar a chegada do produto ao alvo.
Rapidez pode favorecer uso do avião
A capacidade de tratar grandes áreas em pouco tempo está entre as principais vantagens operacionais da aplicação aérea.
Em situações de alta pressão de pragas ou doenças, a velocidade da operação pode permitir que o controle seja realizado dentro da janela considerada adequada, reduzindo o risco de atraso na intervenção.
Outro benefício é evitar o tráfego de pulverizadores dentro da lavoura. Em estádios mais avançados, com o milho mais alto, a passagem de máquinas terrestres pode provocar o amassamento de plantas nas linhas utilizadas pelos equipamentos.
A aplicação aérea também pode ganhar espaço quando o solo está encharcado ou apresenta outras condições que dificultam ou impedem a entrada de máquinas.
Janelas climáticas curtas representam outro fator que pode influenciar a escolha. Quando há poucas horas com condições favoráveis à pulverização, a capacidade de cobrir uma área extensa em menor intervalo de tempo pode ajudar na execução do manejo.
As informações técnicas fazem referência a períodos de chuvas frequentes e utilizam a expressão “entre outubro e setembro”. O intervalo, porém, não define de maneira clara uma janela sazonal específica. Dessa forma, não é possível estabelecer quais meses seriam mais críticos apenas a partir dos dados apresentados.
Cobertura da planta é um dos principais desafios
A rapidez da operação não elimina os cuidados necessários para que o defensivo alcance corretamente o alvo.
No período reprodutivo, as plantas de milho estão altas, apresentam folhas sobrepostas e já possuem o pendão formado. Essa estrutura dificulta a entrada das gotas nas regiões mais protegidas da planta.
Dependendo da praga ou doença que se pretende controlar, pode ser necessário atingir não apenas as folhas superiores, mas também o terço médio e inferior da planta ou a região próxima à espiga.
Por isso, a tecnologia de aplicação deve considerar fatores como tamanho das gotas, volume de calda, tipo de bico, altura de voo e largura da faixa de pulverização.
A aeronave também precisa ser corretamente calibrada, com ajustes de vazão, pressão, bicos e distribuição da aplicação.
Como a pulverização aérea normalmente trabalha com volumes de calda menores em comparação com a aplicação terrestre, a qualidade das gotas ganha ainda mais importância.
Gotas muito finas apresentam maior risco de deriva, situação em que o produto é deslocado para fora da área que deveria receber a aplicação. Já gotas excessivamente grossas podem resultar em cobertura insuficiente.
O objetivo é encontrar um equilíbrio que permita atingir o alvo com cobertura adequada e, ao mesmo tempo, reduzir as perdas durante a operação.
Clima interfere diretamente na aplicação
Vento, temperatura e umidade relativa do ar precisam ser acompanhados durante a pulverização.
As recomendações técnicas indicam que tanto ventos fortes quanto condições inadequadas de vento podem aumentar o risco de deslocamento das gotas e provocar depósitos irregulares na lavoura.
Temperaturas elevadas combinadas com baixa umidade relativa do ar também merecem atenção. Nessas condições, a evaporação das gotas pode aumentar antes que o produto alcance o alvo, reduzindo a eficiência da aplicação.
Situações com maior risco de inversão térmica e períodos de ventos fortes também devem ser evitados.
Os dados técnicos disponíveis, no entanto, não estabelecem valores numéricos específicos de velocidade do vento, temperatura ou umidade para determinar se a aplicação deve ou não ser realizada.
Esses parâmetros precisam seguir as recomendações aplicáveis ao produto utilizado e às condições da operação.
Conta deve considerar o risco de perda
Além da viabilidade técnica, a escolha pela aplicação aérea precisa passar por uma avaliação econômica.
A lógica é comparar o custo da intervenção com a perda de produtividade que pode ser evitada com o controle.
Para essa decisão, o monitoramento da lavoura é fundamental. A avaliação deve considerar a presença e a intensidade de pragas e doenças, os níveis de ação indicados para cada problema e o potencial produtivo da área.
Híbrido utilizado, população de plantas, fertilidade e condições climáticas também entram nessa análise.
Os dados técnicos disponíveis não estabelecem um valor fixo de aplicação por hectare nem uma quantidade de sacas de milho necessária para cobrir o custo da operação.
Também não são apresentados níveis numéricos de ação para cada uma das pragas ou doenças mencionadas. Por isso, não existe uma regra única para definir quando a aplicação aérea passa a ser economicamente vantajosa.
A decisão precisa ser feita de acordo com as condições de cada lavoura.
Em áreas pequenas ou muito fragmentadas, por exemplo, o custo de mobilização da aeronave pode ser distribuído por poucos hectares, aumentando o custo da operação por área tratada.
A pulverização aérea também pode não se justificar quando o monitoramento aponta baixa pressão de pragas e doenças.
Da mesma forma, propriedades que dispõem de boa estrutura de aplicação terrestre, acesso adequado às áreas e condições climáticas favoráveis podem realizar o manejo sem necessidade do uso da aeronave.
Aplicação aérea integra estratégia de manejo
A aplicação aérea não deve ser considerada uma estratégia isolada de controle.
As recomendações técnicas apontam que a pulverização precisa fazer parte do manejo integrado de pragas e doenças, sistema que combina diferentes medidas para reduzir riscos à lavoura.
O monitoramento frequente é uma das bases desse processo, pois permite acompanhar a evolução dos problemas e definir se existe necessidade de intervenção.
Outras medidas incluem a escolha de híbridos com maior tolerância às doenças, rotação de culturas e manejo dos restos culturais.
Quando o uso de inseticidas ou fungicidas é necessário, devem ser respeitadas as doses recomendadas, o receituário agronômico e as orientações de rótulo e bula.
A alternância de modos de ação também integra as recomendações. Essa estratégia ajuda a reduzir a pressão de seleção que pode favorecer o desenvolvimento de resistência de pragas e organismos causadores de doenças aos produtos utilizados.
Nesse contexto, a aviação agrícola funciona como uma ferramenta operacional capaz de executar rapidamente uma decisão definida a partir do acompanhamento da lavoura.
Proximidade de áreas sensíveis exige atenção
A localização da lavoura também precisa entrar no planejamento da operação.
A proximidade de culturas suscetíveis, áreas urbanas, cursos d'água e outros locais sensíveis aumenta a necessidade de cuidados para reduzir o risco de deriva.
A aplicação deve respeitar as faixas de segurança e as recomendações previstas no rótulo e na bula dos defensivos, incluindo as orientações específicas para pulverização aérea.
As informações técnicas também destacam a necessidade de receituário agronômico e de realização da operação por empresa de aviação agrícola devidamente registrada, com profissionais treinados.
Durante a aplicação, devem ser registrados dados relacionados às condições meteorológicas, como vento, temperatura e umidade.
Parâmetros operacionais, entre eles altura de voo, largura da faixa de aplicação e volume de calda, também devem fazer parte desse acompanhamento.
Os profissionais responsáveis pelo manuseio dos defensivos e pela preparação da calda precisam utilizar os equipamentos de proteção individual adequados.
Decisão depende das condições de cada lavoura
A aplicação aérea pode oferecer vantagens no milho em fase reprodutiva principalmente pela rapidez, pela possibilidade de tratar grandes áreas em menor intervalo de tempo e pela capacidade de realizar o manejo sem o tráfego de pulverizadores terrestres dentro da lavoura.
Essas características podem ser importantes em situações de alta pressão de pragas e doenças, dificuldade de acesso ao campo ou disponibilidade limitada de condições climáticas favoráveis à pulverização.
A escolha pelo avião, porém, não deve ocorrer apenas pela facilidade operacional.
A decisão precisa considerar o monitoramento da cultura, o risco efetivo de perdas, o potencial produtivo, o custo da intervenção, a qualidade da cobertura, as condições meteorológicas e os riscos relacionados à deriva.
Na prática, os dados técnicos apontam que a aplicação aérea deve ser entendida como uma ferramenta dentro de uma estratégia mais ampla de manejo. O resultado da operação depende de planejamento, regulagem adequada, acompanhamento da lavoura e avaliação das condições específicas de cada área.