Curso inédito de cura de queijo reúne produtores em BH
Técnicos, pesquisadores e produtores de queijo de Minas participam, em BH, do curso de cura de queijos com a professora francesa Délphine Gehant
Técnicos, pesquisadores e produtores de queijo de Minas participam, em BH, do curso de cura de queijos com a professora francesa Délphine Gehant, da Escola de Produtos Lácteos EnilBio de Poligny, uma das principais instituições de formação de queijeiros profissionais da Europa. O curso, organizado pela ONG SerTãoBras, com apoio da FAEMG, vai até amanhã, no auditório da antiga sede da FAEMG (avenida Carandaí, 1115, Funcionários). O curso é realizado pela primeira vez no Brasil.
A professora Délphine Gehant, que tem longa experiência com maturação de queijos, diz que há algumas diferenças nos procedimentos de cura entre a França e o Brasil: “As condições de cura na França são mais próximas de 10ºC, enquanto aqui, os queijos são curados na sala de fabricação onde, normalmente, é difícil se chegar à temperatura ideal, e isso faz com que os queijos não preservem a umidade”. Outra diferença na produção é o coalho. Enquanto na França é usado o coalho oriundo do estômago de bezerros, aqui, usa-se o de vacas velhas. A diferença, segundo Délphine, é que no modo brasileiro, o queijo tende a amargar durante o processo de cura.
Legislação
Na abertura do curso, o presidente do SISTEMA FAEMG, Roberto Simões, falou sobre a importância desses eventos para dar mais oportunidade de qualificação aos produtores mineiros: “É uma forma de melhorarmos cada vez mais nossos produtos e agregarmos valor a eles. Já temos bons queijos, mas ainda falta evoluir na sua classificação, identidade de origem e qualidade”.
Roberto Simões falou, ainda, sobre a Comissão Técnica do Queijo da FAEMG, que orienta ações em defesa dos produtores e produtos mineiros. Uma das tentativas, segundo ele, é a de fazer com que o queijo brasileiro tenha leis próprias. “Conseguindo essa legislação, as famílias que fabricam queijos poderão viver tão bem quanto as da França”. A proposta de lei está no departamento jurídico do MAPA (Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento).
Outra ação da FAEMG em parceria com a CODEMIG (Companhia de Desenvolvimento Econômico de Minas Gerais) é para a criação de um centro de referência para classificar os queijos produzidos no estado. “Com a classificação poderemos melhorar a comercialização dos queijos mineiros e também dar informações mais precisas ao consumidor sobre a melhor forma de conservação do queijo, depois de aberto. Os desafios são muitos, mas penso que estamos próximos de termos boas notícias”.