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Custo de produção: soja e milho apertam margem em MS

custo de produção no agro


Foto: Divulgação

O custo de produção da soja e do milho segue no centro das preocupações do produtor rural. Em Mato Grosso do Sul, levantamento da Aprosoja/MS mostra que produzir soja na safra 2025/2026 exige mais de R$ 6,1 mil por hectare, enquanto o milho apresenta um cenário ainda mais apertado quando analisado como safra única.

Na soja, o custo total estimado chegou a R$ 6.115,83 por hectare, alta de 1,9% em relação à safra 2024/2025. No milho, o custo total foi estimado em R$ 4.837,11 por hectare, equivalente a 89,58 sacas por hectare, acima da produtividade média de 84 sacas por hectare usada no estudo.

Os dados são regionais e não representam, sozinhos, a média nacional. Ainda assim, ajudam a mostrar um problema que aparece em várias regiões produtoras: a margem depende cada vez mais da combinação entre produtividade, preço de venda, fertilizantes, sementes, defensivos, juros, frete e armazenagem.

No levantamento da Aprosoja/MS, a soja IPRO foi considerada com produtividade estimada de 53 sacas por hectare e preço médio de R$ 120 por saca. Com essa base, o custo total de produção ficou em R$ 6.115,83 por hectare, ou 50,97 sacas por hectare.

Na comparação com a safra anterior, o custo em reais subiu 1,9%. Em 2024/2025, o custo total era de R$ 5.998,24 por hectare. Já em sacas por hectare, houve leve queda, de 51,27 para 50,97 sacas.

Essa diferença acontece porque o preço médio considerado no estudo também subiu, de R$ 117 para R$ 120 por saca. Ou seja, o custo em dinheiro aumentou, mas a relação em sacas ficou um pouco menor.

Ainda assim, o produtor não pode olhar apenas para o custo total. Dentro da lavoura, alguns itens tiveram peso maior e ajudam a explicar por que a margem continua sensível.

Entre as despesas de custeio da lavoura de soja, os fertilizantes foram o principal item. Segundo a Aprosoja/MS, eles representaram 39,83% do custeio, com gasto de R$ 1.395,80 por hectare, equivalente a 11,63 sacas por hectare.

As sementes aparecem em segundo lugar dentro do custeio, com 16,81%, ou R$ 589,20 por hectare. Em sacas, esse custo equivale a 4,91 sacas por hectare.

Os principais itens do custeio da soja no levantamento foram:

fertilizantes: R$ 1.395,80 por hectare;

sementes de soja: R$ 589,20 por hectare;

fungicidas: R$ 352,00 por hectare;

inseticidas: R$ 315,00 por hectare;

herbicidas: R$ 292,80 por hectare;

corretivo de solo: R$ 289,80 por hectare.

Na comparação entre safras, os fertilizantes passaram de R$ 1.125,00 para R$ 1.395,80 por hectare, alta de 24,1%. Os inseticidas também chamam atenção, com avanço de 57,5%, de R$ 200,00 para R$ 315,00 por hectare.

Esses aumentos não significam, automaticamente, prejuízo para o produtor. Mas mostram que a rentabilidade da soja depende de planejamento fino, principalmente na compra de insumos e na definição do momento de venda.

O cenário do milho é mais apertado no levantamento da Aprosoja/MS. Para a safra 2025/2026, a produtividade estimada foi de 84 sacas por hectare, com preço médio de R$ 51 por saca.

O custo total foi calculado em R$ 4.837,11 por hectare. Em sacas, esse valor equivale a 89,58 sacas por hectare, acima da produtividade considerada no estudo.

Esse dado precisa ser interpretado com cuidado. Ele não significa que todos os produtores de milho terão prejuízo, porque cada propriedade tem produtividade, custo, sistema de produção e estratégia comercial próprios. Além disso, o resultado muda quando o milho entra como segunda safra e parte dos custos fixos pode ser diluída na soja.

Mesmo assim, o número serve como alerta. Quando o custo estimado em sacas supera a produtividade média considerada, a margem fica muito dependente de preço, produtividade acima da média e controle de despesas.

No milho, os fertilizantes também aparecem como o item mais pesado do custeio da lavoura. O levantamento aponta gasto de R$ 1.283,00 por hectare, o equivalente a 23,76 sacas por hectare. Esse valor representa 40,88% das despesas de custeio.

As sementes de milho aparecem em seguida, com R$ 820,00 por hectare, ou 15,19 sacas por hectare. Dentro do custeio da lavoura, representam 26,13%. Os principais itens do custeio do milho foram:

fertilizantes: R$ 1.283,00 por hectare;

sementes de milho: R$ 820,00 por hectare;

Inseticidas: R$ 329,68 por hectare;

corretivo de solo: R$ 230,00 por hectare;

operações com máquinas e implementos: R$ 213,00 por hectare;

transporte externo: R$ 159,75 por hectare.

Na prática, o levantamento mostra que fertilizantes e sementes concentram grande parte do custo direto da lavoura. Por isso, qualquer variação no preço desses insumos pode alterar a margem antes mesmo do plantio.

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