Custos definem disputa global no milho
No caso brasileiro, os custos diretos representaram mais de metade do total
No caso brasileiro, os custos diretos representaram mais de metade do total - Foto: Pixabay
A competitividade do milho no mercado global vem sendo influenciada por diferenças de custo, produtividade e organização dos sistemas de produção. Entre 2020 e 2024, Brasil e Estados Unidos enfrentaram alta de insumos, impactos da pandemia e efeitos da guerra entre Rússia e Ucrânia, fatores que pressionaram margens e alteraram a rentabilidade no campo.
O estudo de Joana Colussi e Michael Langemeier compara uma fazenda típica de Iowa, nos Estados Unidos, e outra de Mato Grosso, no Brasil, com dados padronizados da rede agribenchmark. No período analisado, os custos totais foram sempre maiores na propriedade norte-americana. Em Iowa, o custo de produção do milho subiu 22%, de US$ 160 para US$ 195 por tonelada. Em Mato Grosso, apesar de partir de uma base menor, o avanço foi mais intenso: os custos mais que dobraram, de US$ 69 para US$ 147 por tonelada.
No caso brasileiro, os custos diretos representaram mais de metade do total em todos os anos, principalmente pelo peso dos fertilizantes. A dependência de importações de nitrogênio, que atendem quase todo o consumo nacional, ampliou o impacto da alta internacional dos insumos. A desvalorização do real frente ao dólar também elevou despesas internas, já que boa parte desses produtos é cotada em moeda norte-americana.
Nos Estados Unidos, os custos indiretos tiveram maior peso em três dos cinco anos analisados, refletindo principalmente valores de terra, máquinas, mão de obra e capital. As exceções ocorreram em 2022 e 2023, quando os fertilizantes ganharam relevância no orçamento das fazendas.
A rentabilidade foi positiva para os dois países em 2022, ano em que os preços futuros do milho em Chicago superaram US$ 6 por bushel. Depois disso, as margens recuaram. Em 2023 e 2024, as duas propriedades registraram prejuízo econômico, com perdas mais fortes em Iowa do que em Mato Grosso.
No Brasil, a segunda safra ajuda a diluir parte dos custos fixos entre soja e milho no mesmo ano agrícola. Esse modelo fortalece a competitividade, mas também aumenta a exposição ao clima, já que o plantio depende de uma janela curta após a colheita da soja e do regime de chuvas.