Custos do milho avançam para 2027
Enquanto sementes e defensivos estão rodando dentro de um padrão considerado normal
Enquanto sementes e defensivos estão rodando dentro de um padrão considerado normal - Foto: Pixabay
Os custos de produção do milho de segunda safra voltam a ganhar peso nas decisões de compra para 2027, em um cenário em que a composição dos gastos mostra avanço principalmente nos fertilizantes. Segundo Jeferson Souza, analista de inteligência de mercado, a leitura foi discutida nesta semana com clientes e tem como referência o comportamento do milho “safrinha” em Mato Grosso.
O estado representa mais de 45% da área nacional do cereal de segunda safra e, por isso, costuma antecipar movimentos importantes de mercado. Na região, a dinâmica de compra geralmente começa pelo adubo e, em seguida, avança para sementes e defensivos. Esse histórico, no entanto, apresenta uma mudança neste ano.
Enquanto sementes e defensivos estão rodando dentro de um padrão considerado normal, os fertilizantes seguem em ritmo mais lento, a conta-gotas. A explicação está no encarecimento da conta do adubo, que pesa mais no planejamento do produtor. Nos últimos dias, o sulfato chegou a apresentar alguma reação, mas ainda permanece distante dos níveis observados no ano passado.
O levantamento da Agrinvest Commodities mostra que o gasto por hectare à vista no milho “safrinha”, considerando alta tecnologia no Médio Norte de Mato Grosso, deve alcançar 90 sacas por hectare em 2026/27. O número representa avanço em relação às 75 sacas estimadas para 2025/26, às 72 sacas de 2024/25 e à média de 69 sacas dos últimos cinco anos.
Na composição do custo, sementes e defensivos passam de 37 sacas na média de cinco anos para 42 sacas em 2026/27. Já os fertilizantes têm alta mais expressiva, saindo de 32 sacas na média histórica para 48 sacas na projeção para 2026/27. O movimento reforça o peso do adubo na formação do custo total.
Outro ponto de atenção está no enxofre. A produção nacional de fosfatados já sente os impactos desse problema e pode sofrer ainda mais, o que adiciona incerteza ao abastecimento e ao custo dos insumos para a próxima temporada.