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Decisão da UE ameaça mercado de US$ 1,8 bilhão para o Brasil

Setor produtivo busca reverter a medida


Foto: Pixabay

A retirada do Brasil da lista de países autorizados a exportar produtos de origem animal para a União Europeia acendeu um alerta no setor agropecuário. A medida, comunicada ao governo brasileiro nesta terça-feira (12/5), pode atingir um mercado que movimentou US$ 1,8 bilhão em 2025, segundo dados da Agrostat, sistema do Ministério da Agricultura. Apesar da preocupação, o MAPA e a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) reforçam que as exportações seguem normalmente e que a decisão só passaria a valer a partir de 3 de setembro de 2026.

Segundo a União Europeia, o Brasil ficou fora da atualização da lista por não ter apresentado garantias sobre a não utilização de antimicrobianos na pecuária, conforme informou a agência de notícias France Presse. O tema é sensível porque envolve regras sanitárias, acesso a mercados e a confiança internacional sobre os sistemas de controle de produtos de origem animal.

A decisão foi aprovada no âmbito do Comitê Permanente para Plantas, Animais, Alimentos e Ração da Comissão Europeia. Em nota oficial, o Ministério da Agricultura informou que recebeu a notícia “com surpresa” e destacou que, neste momento, os embarques brasileiros continuam ocorrendo normalmente.

O impacto potencial é relevante. A União Europeia é o segundo maior mercado para carnes brasileiras em valor, atrás apenas da China. Em 2025, o bloco comprou 368,1 mil toneladas de produtos brasileiros, com receita de US$ 1,8 bilhão. A carne bovina responde pela maior parte desse valor: foram US$ 1,048 bilhão em vendas e 128 mil toneladas embarcadas ao mercado europeu. O bloco é o terceiro maior destino da carne bovina brasileira, depois de China e Estados Unidos.

A carne de frango também aparece entre os produtos expostos à decisão. Em 2025, as exportações brasileiras de frango para a União Europeia somaram US$ 762 milhões, com volume de 230 mil toneladas. Outros produtos de origem animal, como o mel, também podem ser afetados. No ano passado, as vendas brasileiras de mel ao bloco europeu alcançaram US$ 6 milhões, com embarques de mil toneladas. Segundo a ABPA, o Brasil não exporta carne suína para a União Europeia.

O ponto central da controvérsia está nos antimicrobianos, substâncias usadas para tratar e prevenir infecções em animais. Alguns desses medicamentos também podem funcionar como promotores de crescimento. Para voltar à lista europeia, o Brasil terá de avançar em uma das frentes apontadas no material: restringir legalmente o uso dos medicamentos mencionados ou garantir que a carne exportada não contenha essas substâncias.

Na avaliação do governo brasileiro, há espaço para reverter a decisão antes que ela produza efeitos comerciais. O MAPA afirmou que tomará “prontamente todas as medidas necessárias” para que o país retorne à lista de autorizados e mantenha o fluxo de vendas ao mercado europeu, destino para o qual o Brasil exporta há 40 anos. O chefe da Delegação do Brasil junto à União Europeia tem reunião marcada para esta quarta-feira (13/5) com autoridades sanitárias do bloco para buscar explicações sobre a medida.

A ABPA também adotou tom de reação técnica. Em posicionamento oficial, a entidade informou que o Brasil, por meio do MAPA e com apoio do setor produtivo privado, prestará os esclarecimentos necessários à União Europeia sobre as diretrizes relacionadas aos antimicrobianos. A associação sustenta que o país cumpre integralmente os requisitos europeus, inclusive os regulamentos ligados ao tema.

A entidade ressaltou ainda que as exportações não estão suspensas. Segundo a ABPA, a lista de países em não conformidade ainda depende de publicação oficial e só entrará em vigor em 3 de setembro. Até lá, o setor pretende demonstrar que os protocolos exigidos pela União Europeia são atendidos pelas empresas brasileiras e fiscalizados pelo órgão oficial.

O setor produtivo também busca reforçar a imagem sanitária do país. Na nota, a ABPA afirma que o Brasil possui estruturas de controle produtivo, rastreabilidade, monitoramento veterinário e uso responsável de medicamentos, em linha com referências internacionais de saúde animal e segurança dos alimentos. O MAPA, por sua vez, destacou que o Brasil é o maior exportador mundial de proteínas de origem animal e tem sistema sanitário de qualidade internacional reconhecida.

Mesmo sem suspensão imediata, a decisão pressiona frigoríficos, exportadores, produtores e cadeias ligadas à proteína animal. O risco está na possibilidade de perda ou interrupção de acesso a um mercado de alto valor agregado, especialmente para a carne bovina, que tem na União Europeia um dos principais destinos em receita.

Nos próximos meses, o resultado das tratativas entre Brasil e União Europeia será decisivo para medir o tamanho do impacto. Se a medida for revertida antes de setembro, o efeito tende a ficar restrito à tensão diplomática e sanitária. Caso contrário, o agro brasileiro poderá enfrentar prejuízo em um mercado bilionário, com reflexos comerciais para carnes, produtos de origem animal e para a reputação sanitária do país no comércio internacional.

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