Demanda por café solúvel estimulam cultivo de conilon
Cafeicultura mineira diversifica produção
Foto: Pixabay
O cultivo de café conilon tem avançado em Minas Gerais, impulsionado pela adaptação da cultura a regiões mais quentes e pela demanda da indústria de café solúvel, segundo informações do Sistema Faemg Senar. Embora ainda represente uma parcela menor da produção estadual em relação ao arábica, a variedade tem ampliado sua participação e contribuído para a diversificação da cafeicultura.
De acordo com a analista de agronegócios do sistema, Ana Carolina Gomes, a expansão ocorre principalmente em áreas fora dos polos tradicionais. “Com temperaturas mais elevadas e menor altitude, essas áreas apresentam maior aptidão para o cultivo, especialmente com o uso de irrigação”, explica. O avanço é observado em regiões como o Norte de Minas, Vale do Jequitinhonha, Vale do Rio Doce e áreas do Noroeste do estado.
A demanda por café solúvel tem sido um dos principais fatores de estímulo. O conilon apresenta maior rendimento de sólidos solúveis, característica valorizada pela indústria de cafés instantâneos e bebidas prontas. O crescimento do consumo global, especialmente na Ásia e na Europa, tem ampliado o interesse pela cultura.
Segundo a analista, a adoção do conilon também está associada à rentabilidade e à estabilidade produtiva. “É importante destacar que o conilon não substitui o arábica, mas complementa a produção. Em muitas propriedades mineiras, produtores têm adotado sistemas híbridos, combinando as duas espécies para reduzir riscos climáticos e diversificar a renda. A estratégia também permite utilizar o conilon em áreas menos aptas ao arábica, fortalecendo a sustentabilidade econômica das fazendas”, ressalta.
Dados do setor indicam que, em 2025, o Brasil exportou 84,4 mil toneladas de café solúvel, com receita de US$ 1,1 bilhão. Em Minas Gerais, as exportações somaram 5,8 mil toneladas, gerando US$ 68 milhões. Entre os principais destinos estão Estados Unidos, Japão, Argentina e países do Leste Europeu e do Sudeste Asiático.
Apesar de ainda representar cerca de 2% da produção cafeeira mineira, o conilon registra expansão contínua. Em 2026, o estado conta com 11,1 mil hectares cultivados. Nos últimos cinco anos, a área cresceu 12%, com destaque para a região Leste, que teve aumento de 67%. Em 2025, a produção alcançou cerca de 584 mil sacas, alta de 50% em relação ao ano anterior.
A produtividade também tem se destacado. Enquanto o café arábica apresenta médias entre 20 e 40 sacas por hectare, o conilon pode variar de 40 a 80 sacas, podendo superar 100 sacas em sistemas irrigados. Em Minas Gerais, a média foi de 53 sacas por hectare em 2025, com previsão de crescimento.
O potencial de expansão é reforçado pelo Zoneamento Agrícola de Risco Climático (ZARC), que indica mais de 660 municípios aptos ao cultivo no estado. Ainda assim, a implantação da cultura exige maior nível de tecnificação, com necessidade de irrigação, manejo intensivo e uso de mudas clonais.