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Densidade de plantas influencia produtividade e risco de acamamento no trigo

Avaliação do estande e do perfilhamento ajuda o produtor a ajustar o manejo


Foto: Canva

Por Aline Merladete com colaboração e revisão de Ubirajara Fontoura, engenheiro agrônomo

A densidade de plantas é um dos pontos que exigem atenção durante o crescimento vegetativo do trigo em áreas de alto potencial. Entre a emergência e o início do alongamento do colmo, a cultura forma folhas, desenvolve raízes, inicia o perfilhamento e estabelece a base para o número de espigas por metro quadrado.

É importante seguir as recomendações técnicas de população de plantas indicadas para cada cultivar. De modo geral, cultivares de porte mais baixo podem suportar populações maiores por apresentarem maior resistência ao acamamento. Em solos com boa fertilidade, também é possível trabalhar com populações mais elevadas, desde que as demais condições da lavoura sejam consideradas.

Em solos férteis, com boa disponibilidade de nitrogênio, fósforo e potássio e sem restrição hídrica severa, o trigo tende a apresentar maior perfilhamento. Nesses ambientes, densidades excessivas podem aumentar a competição entre plantas, o sombreamento e a umidade na base da lavoura, além de favorecer a formação de colmos mais finos. Como consequência, o risco de acamamento pode aumentar.

Conhecer o histórico de cada gleba da propriedade ajuda o produtor a definir a população de plantas mais adequada e a ajustar o manejo às características de cada área.

A avaliação deve começar logo após a emergência completa, quando as plantas apresentam de duas a três folhas. A recomendação é realizar contagens em diferentes pontos da lavoura para verificar se o estande obtido corresponde ao planejado e identificar possíveis falhas de germinação ou estabelecimento.

No início do perfilhamento, também é importante observar o número de perfilhos, o vigor das plantas e a uniformidade da lavoura. Em condições favoráveis, um estande moderado formado por plantas vigorosas pode alcançar uma população de espigas semelhante à de áreas com maior número inicial de plantas.

Densidades mais elevadas podem ser úteis quando a cultivar apresenta baixa capacidade de perfilhamento, quando a emergência é irregular ou quando a semeadura ocorre mais tarde. Por outro lado, em solos muito férteis, cultivares com elevado perfilhamento e áreas com histórico de acamamento podem se beneficiar de populações menores, favorecendo a formação de colmos mais resistentes.

O equilíbrio entre densidade de plantas, perfilhamento e robustez dos colmos é determinante para o desempenho da cultura. O objetivo é obter um número adequado de espigas por metro quadrado sem comprometer a capacidade das plantas de permanecerem eretas até a colheita.

O manejo do nitrogênio também deve acompanhar o desenvolvimento da lavoura. Áreas muito adensadas exigem maior cautela para evitar crescimento vegetativo excessivo. Em estandes abaixo do planejado, mas com plantas vigorosas, o perfilhamento pode contribuir para compensar parte da redução no número inicial de plantas.

Após a fase de emergência, grandes falhas no estande são difíceis de corrigir por meio de nova semeadura sem comprometer a uniformidade da cultura. Por isso, registrar o estande, a ocorrência de acamamento e a produtividade de cada talhão pode ajudar no ajuste da densidade e da regulagem da semeadora nas safras seguintes.

Em áreas de alto potencial produtivo, não existe uma única densidade adequada para todas as situações. Cultivar, fertilidade do solo, clima, capacidade de perfilhamento e histórico do talhão devem ser avaliados em conjunto para buscar equilíbrio entre produtividade e estabilidade da lavoura.
 

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