A disparada do dólar acabou gerando uma crise atípica na pecuária e desestruturou o mercado. Pela primeira vez se vê pecuaristas e também as indústrias frigoríficas reclamando da situação. Os abates já começam a ser reduzidos com o adiamento de contratos de exportação e alguns empresários anunciam férias coletivas para mais de 630 funcionários de frigoríficos. Isso por conta de uma parada nas exportações de carne, consequência do dólar alto.
Já os criadores, mesmo com a arroba aproximando-se dos R$ 49 (sexta-feira fechou em R$ 48 com 30 dias), acham que, em dólar, a cotação nunca esteve tão baixa como neste mês de agosto. Os industriais dizem que existe gado disponível no pasto, reclamando por isso do preço pago hoje pelo boi, enquanto os criadores garantem que não há gado disponível, retendo o que existe e forçando novas altas nas cotações a partir dessa semana. O consumo da carne, porém, caiu com as altas.
Os frigoríficos, especialmente os que trabalham com mercado externo, começam a parar em função da instabilidade do dólar e a alta interna da cotação da arroba do boi gordo.
No próximo dia 23, sexta-feira, o Grupo Independência Alimentos termina o seu compromisso de exportação de carne para Israel e no dia seguinte, sábado, dia 24, pára e coloca 630 funcionários em férias coletivas, já que não foram e nem serão firmados novos contratos até que a crise do dólar seja superada e a moeda norte-americana volte a cotação menos irreal em relação a moeda brasileira.
O frigorífico do mesmo grupo, em Nova Andradina, vai continuar operando com apenas 50% da sua capacidade, como vem fazendo já há algum tempo, apenas para cumprir os contratos de exportação anteriormente firmados.
Segundo o presidente do grupo, Antônio Russo Netto, a previsão da diretoria é de que os abates sigam até o dia 10 ou 12 de setembro, na média atual de 500 cabeças/dia. Depois cessam, e só a realidade do dólar vai poder apontar que caminho será seguido a partir de então.
O frigorífico do grupo em Campo Grande, comprado do Matel recentemente, continua abatendo apenas 250 cabeças/dia por conta do ajuste de máquinas, de pessoal e administrativo ao sistema empregado nas demais indústrias do grupo.
O Frigorífico Independência no município de Presidente Venceslau, em São Paulo, que se encontra parado atualmente, deveria ser reativado no próximo dia 26, mas como houve o adiamento no fechamento de novos contratos com o Irã, a previsão agora é que a indústria só reabra as portas na segunda semana de setembro, e se o dólar voltar a patamares considerados reais.
Outras indústrias, como o Friboi (antigo Bordon), de Campo Grande, estão com suas escalas de abate estáveis porém abatendo somente três vezes por semana, ou seja, dia sim, dia não, com alguma possibilidade de dispensar ou também colocar funcionários em férias.