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Dia de campo apresenta alternativas para produtividade de milho e macaxeira

Novas tecnologias que viabilizam o aumento


Novas tecnologias que viabilizam o aumento de produtividade do milho e da macaxeira foram apresentadas nesta terça-feira (18/06), em Manacapuru (AM), durante Dia de Campo realizado na Fazenda Águas Claras. Na ocasião, pesquisadores da Embrapa Amazônia Ocidental expuseram, a mais de cem participantes, informações e orientações sobre novas variedades de milho recomendadas e sobre Sistema de Produção de Mandioca em terra firme.

 
O Dia de Campo apresentou aos agricultores, técnicos e representantes de instituições presentes alternativas para melhoria da produtividade das culturas nas condições de clima e solo do Estado. Tanto a macaxeira, um dos principais alimentos que compõem o prato do amazonense, quanto o milho, cereal utilizado na alimentação humana e animal, atualmente são importados de outros locais do país como forma de atender a demanda do Amazonas.
 
Durante o evento, o público conheceu as Unidades Demonstrativas (UDs) de produção de milho e de macaxeira da Fazenda Águas Claras, onde as tecnologias recomendadas pela Embrapa (novas cultivares e sistema de produção) foram adotadas pelo produtor Joacir Menezes.
 
Novas cultivares de milho

“Estas duas cultivares se destacaram nas nossas condições de solo e clima”. Assim o pesquisador Inocencio de Oliveira definiu as variedades de milho recomendadas pela Embrapa Amazônia Ocidental, a BRS 4103 e a BRS Caimbé. Elas foram avaliadas em quatro ambientes do Amazonas – nas safras de 2011/2012 e 2012/2013. A cultivar 4103 apresentou produtividade média de 4,9 toneladas por hectare (ha), em grãos de milho seco, e a Caimbé 5,2 toneladas por hectare. O rendimento médio no Amazonas, atualmente, é de 2,4 toneladas/ha – valor que também está abaixo da média da região Norte (2,9 toneladas por hectare) e do Brasil (cinco toneladas por hectare).
 
Um dos alertas feitos pelo pesquisador durante o evento está relacionado à época de plantio do milho, que deve ocorrer entre outubro e março. “Se plantar em abril, por exemplo, o milho vai estar na fase crítica de demanda de água em junho. E se sabe que neste mês chove, mas chove pouco. Então, procuramos fazer o plantio no máximo até o final de março, pensando nesta condição hídrica, porque a planta é muito exigente no pós-florescimento e enchimento da espiga”, disse.
 
Na área de terra firme utilizada para o plantio foi feita a calagem e adubação. A densidade foi de 50 mil plantas por hectare, com espaçamento de um metro entre fileiras e a distribuição de uma semente a cada 20 centímetros. Depois da germinação, outros cuidados foram tomados, como o controle das plantas daninhas, com herbicidas seletivos; adubações de cobertura do solo; e controle da lagarta do cartucho já nos primeiros sintomas apresentados. O pesquisador também orientou os presentes quanto à importância da escolha da semente. “De modo geral, 50% de uma produção é garantida pela escolha de uma boa semente, e os outros 50% pelos tratos culturais adequados”, ressaltou.
 
Na propriedade, a colheita do milho-verde foi feita em parte da área a partir do septuagésimo dia. “Em relação ao milho-verde, o interessante é que quando você retira a espiga e comercializa, ainda sobra a planta verde. Como o produtor tem gado de leite, foi possível cortar as plantas verdes para fornecer aos animais”, completou. Quando o ciclo chegar a 120 dias, será feita a colheita do restante dos grãos.

 
Na Fazenda Águas Claras a BRS 4103 e a Caimbé foram semeadas na terra firme. No entanto, as cultivares também são recomendadas para a várzea.
 
Produção de Macaxeira

O pesquisador Miguel Dias apresentou aos participantes os detalhes de como a macaxeira foi cultivada na propriedade. Na área de terra firme, foram utilizadas três variedades (pão, pagoa e marrequinha). Segundo o pesquisador, os solos escolhidos para o plantio devem preferencialmente ser planos, ou suavemente ondulados, profundos, com boa circulação de ar e água.
 
Outro alerta feito por Dias foi em relação à seleção da maniva/semente, que deve ser sadia, madura, com diâmetro entre dois e 2,5 centímetros e livre de pragas e doenças. Assim como a área do plantio de milho, o solo destinado à macaxeira também passou por calagem e adubação.
 
Depois do plantio, foi feita a adubação em cobertura e os tratos culturais, que podem ser realizados através de capina ou aplicação de herbicidas – neste último caso, de acordo com Dias, é importante o apoio da assistência técnica. O pesquisador também falou sobre a importância de deixar o mandiocal limpo. “Mandioca não gosta de sombreamento. O bom é que ela pegue sol o dia todo”, disse.
 
Recomenda-se que o plantio seja feito no início do período de chuvas, entre outubro e novembro, com espaçamento de 1m x 1m ou de 1m x 0,8m. O pesquisador finalizou a apresentação expondo os fatores de colheita. Quanto à qualidade culinária, a macaxeira deve ter boa palatabilidade, textura sem encaroçamento, sabor adocicado, baixo tempo de cozimento e qualidade da massa cozida, entre outras características. Em relação ao padrão das raízes, o tamanho ideal para colheita é de 20 cm a 30 cm de comprimento; a forma deve ser cônica ou cilíndrica; e a raiz precisa ter bom aspecto geral.
 
A Embrapa disponibiliza tecnologias como sistema de produção de mandioca e cultivares tanto para áreas de várzea quanto de terra firme, que permitem alcançar produtividades de até 33 toneladas de raiz por hectare – três vezes acima da média regional, que é de oito a 10 toneladas por hectare. Destacam-se também técnicas de plantio adensado como método de multiplicação de maniva/semente.
 
O Dia de Campo foi realizado pela Embrapa Amazônia Ocidental, unidade da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária, com apoio do Instituto de Desenvolvimento Agropecuário e Florestal Sustentável do Estado do Amazonas (Idam), Prefeitura de Manacapuru e Fazenda Agrotec.

 
O evento ainda contou com a participação de representantes de comunidades de agricultores e de instituições, como o Ministério de Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Ministério de Desenvolvimento Agrário, Federação da Agricultura e Pecuária do Amazonas, Câmara de Vereadores de Manacapuru, Escritório da Amazônia da Embrapa, Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária, Secretaria de Estado da Produção Rural e Serviço Nacional de Aprendizagem Rural.
 
Opiniões

O agricultor Aldo Damasceno da Silva produz macaxeira, mandioca, cheiro verde e peixes em uma propriedade de 50 hectares em Manacapuru. Ele aprovou o Dia de Campo, especialmente pelo número de informações técnicas disponíveis. “Consegui captar um número muito grande de informações importantes que vão ajudar no meu trabalho. Esta questão da adubação, por exemplo, vai ser muito útil para mim”, disse.
 
Segundo o gerente da Unidade local do Idam, Marildo Ximendes, assim como nos outros municípios do Amazonas, a mandioca tem relevância econômica e social em Manacapuru. “A mandioca já foi a primeira cultura do município. Hoje deve ser a oitava. Esse é um dos fatores que demonstram a necessidade de aumentar a produção para atender a demanda e regular o mercado, de forma que este produto esteja acessível à mesa do consumidor. Este trabalho desenvolvido pela Embrapa vai ao encontro disso, estimulando a produção e aumentando a produtividade” disse.
 
Ximendes também comemorou as novidades apresentadas em relação ao milho, especialmente porque os plantios do município, cultivados geralmente na várzea, têm sofrido nas últimas safras com a cheia dos rios. “Aqui não tínhamos a cultura de plantar milho em terra firme e agora temos esta alternativa. Para a assistência técnica estes resultados são muito importantes, porque temos certeza que vamos indicar variedades produtivas. Devido às cheias, muitos agricultores estão migrando para a terra firme, mas não adianta apenas migrar, eles precisam a tecnologia que garanta o rendimento”, disse.
 
A pesquisadora da Embrapa Amazônia Ocidental, Cheila Boijink, que representou a chefia da Unidade durante o evento, destacou, ainda, o aspecto ambiental das novas tecnologias. “Além dos ganhos econômicos, estas tecnologias trazem ganhos ambientais. A partir do momento em que se coloca a adubação correta, os nutrientes, não se causa degradação do solo. Então podemos produzir mais em uma mesma área, sem precisar desmatar mais e protegendo o solo”, resumiu.
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