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Dia de Campo em Caxambu do Sul orienta produtores sobre manejo da tilápia no inverno

Piscicultores recebem orientações para manejo de tilápias no inverno em SC


Foto: Helena Moraes /Epagri

Santa Catarina é o quarto maior produtor de tilápias do país, atrás de Paraná, São Paulo e Minas Gerais. Em 2024, a produção catarinense foi de 44.439 toneladas, número que representa um aumento de mais de 46% na oferta em comparação com 2015, início da série histórica. As regiões de destaque para a tilapicultura são os litorais Sul e Norte, o Alto Vale do Itajaí, o Extremo-Oeste e o Oeste. 

Neste cenário, Caxambu do Sul, no Oeste catarinense, desponta como um dos principais produtores de tilápia da região. O município possui aproximadamente 30 piscicultores que se dedicam à atividade de forma comercial, contando ainda com um frigorífico que garante o processamento e a distribuição local. Para fortalecer ainda mais esta cadeia produtiva a Epagri, em parceria com o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (SENAR) realizou no dia 28 de abril o Dia de Campo em Piscicultura de Inverno. O evento contou com o apoio da Prefeitura Municipal de Caxambu do Sul, das Secretarias Municipais de Agricultura de Caxambu do Sul e de Chapecó, do Sindicato dos Produtores Rurais de Chapecó e da Cresol.

O objetivo, segundo a extensionista da Epagri em Caxambu do Sul, Graciele Vieira, é difundir informações e tecnologias que auxiliem os produtores na realização do manejo correto em um período crítico como o inverno. Graciele revela que no ano passado o município registrou um alto índice de mortalidade de peixes em consequência das baixas temperaturas, uma vez que a faixa ideal para essas espécies varia entre 25?°C e 30?°C. Deste modo, o evento trouxe a palestra do pesquisador Bruno Corrêa da Silva, responsável pela Unidade de Piscicultura da Estação Experimental da Epagri, em Itajaí. 

Bruno abordou os principais cuidados que os produtores devem tomar na preparação, antes e durante o inverno. Entre as tecnologias apresentadas, Bruno destacou a tilápia SC04, uma linhagem geneticamente melhorada desenvolvida pela Epagri, adaptada às condições climáticas e aos sistemas de cultivo de Santa Catarina. “Entregamos mais de 300 mil matrizes para produtores de diversos Estados do país”, relatou. Apesar das adaptações promovidas pelo melhoramento genético, as tilápias ainda exigem uma série de cuidados, especialmente nos períodos mais frios. Nesse contexto, ele enfatiza que a alimentação é um dos pontos centrais para o sucesso produtivo. “No inverno, o metabolismo dos animais fica mais lento, por isso é imprescindível realizar ajustes na dieta, diminuindo a quantidade de ração oferecida”, diz. O pesquisador sugere ainda que a alimentação seja realizada nos horários mais quentes para otimizar os processos fisiológicos dos peixes.

A oxigenação da água é outro fator importante para o bom desempenho dos animais. Desse modo, é recomendado o uso de aeradores para elevar e manter níveis adequados de oxigênio dissolvido, além de promover a circulação da água. Outra ferramenta importante para monitorar os níveis de oxigênio e prevenir situações de estresse e mortalidade é o oxímetro, que avalia com precisão os níveis de oxigênio dissolvido. A técnica de campo do Senar, Tayná Sgnaulin, complementa que “as tilápias conseguem se alimentar com baixas temperaturas, mas não conseguem digerir, por isso o manejo correto é tão importante na nossa região. O ideal é entrar no inverno com os peixes bem nutridos e com boa imunidade. Em dias em que a temperatura da água estiver abaixo de 16°C o mais indicado é não tratar os animais e não deixar de monitorar a qualidade da água e os níveis de amônia, oxigênio e alcalinidade”, afirma.

Os filés de tilápia preparados artesanalmente por Janete Sgnaulin para conseguir uma renda extra para a família serviram de ponto de partida para a materialização de um antigo sonho do marido, Volmir Sgnaulin: a construção de um frigorífico. Volmir, que se dedica à psicultura há mais de 20 anos, relembra que sua produção era vendida para os Estados do Rio Grande do Sul e São Paulo. As dificuldades logísticas e, principalmente, a incerteza quanto ao pagamento, alimentaram nele o desejo de reunir um grupo de produtores para criar uma estrutura coletiva que organizasse a cadeia da piscicultura no município.

O amor dos pais pela atividade foi transmitido aos filhos, Lucas e Tayná, que também se envolveram no projeto, que ganhou forma em 2018 com a criação do Saborfish. O frigorífico foi viabilizado com recursos do Programa SC Rural e do Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf), somados ao investimento direto dos produtores do município. “A Epagri, e em especial o Ivanor Sfredo, ex-extensionista que atuava na cidade, sempre nos incentivaram e fizeram todos os estudos de viabilidade para a implantação” afirma Lucas. O intuito era dar segurança de que os produtores conseguiriam vender e receber pelo produto entregue. Atualmente, o pagamento é realizado em até 15 dias após a entrega, e com o crescimento da cooperativa foi possível adiantar o pagamento da ração, o que representa um grande apoio aos piscicultores. 

O empreendimento começou com o selo de inspeção estadual e, depois de dois anos, conquistou o SIF (Serviço de Inspeção Federal), ampliando a comercialização. No início, o frigorífico abatia em torno de 200 quilos de peixe por dia. “Como não tínhamos mão de obra suficiente, contávamos com a ajuda dos produtores para o abate e produção dos filés”, recorda Lucas. Hoje, temos 10 funcionários fixos e 15 diaristas e abatemos aproximadamente dez toneladas de peixe por dia. Cerca de 90% dos peixes abatidos são provenientes do próprio município. “Eu costumo dizer que Caxambu é conhecida como a cidade da melancia, mas já pode ser a cidade da tilápia”, brinca Lucas.  

A história iniciada por Janete e Volmir ganha continuidade também na atuação da filha, Tayná Sgnaulin. Apaixonada pela piscicultura, ela atua como técnica do SENAR no município, auxiliando os produtores a permanecerem na atividade de forma sustentável e rentável, reforçando o legado construído pela família.

Por: Karin Helena Antunes de Moraes, jornalista bolsista Epagri/Fapesc

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