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Diferença entre Mato Grosso e o Paraná chega a US$ 400

Segundo Aprosoja/MT, valor reflete peso da logística sobre a produção


Para mostrar o tamanho das dificuldades que os sojicultores mato-grossenses enfrentam a cada ciclo, o diretor-executivo da Aprosoja/MT, Marcelo Monteiro, explica que em nenhum outro lugar é tão difícil e caro plantar como no Estado. “Estamos totalmente atrelados às variações do petróleo e dos fertilizantes”. Essas duas variantes que compõem a formação do custo das lavouras estaduais revelam o quanto a competitividade está caindo por terra. “Enquanto em 2003 o produtor estadual ganhava menos US$ 163 por hectare em relação ao produtor de soja do Paraná, em 2009 essa diferença vai chegar a quase US$ 400, ou seja, duas vezes e meia maior”. “Esse é peso da logística e da alta sem precedentes dos fertilizantes”, completa o superintendente do Instituto Mato-grossense de Economia Agrícola (Imea), Seneri Paludo.


Ele explica que enquanto no estado do Paraná, por exemplo, são necessários cerca de 150 quilos a 200 quilos de fertilizantes para cada hectare, em Mato Grosso a necessidade é elevada para quase três vezes mais, algo em torno de 450 quilos a 500 quilos. “Estamos a dois mil quilômetros de distância dos portos e por isso a relação frete e custo de produção com fertilizantes pesa em dobro para os mato-grossenses”, aponta. E completa: “As altas do petróleo elevam os preços dos fretes e influenciam no preço final dos fertilizantes, por isso, temos custo dobrado, primeiro porque usamos esses insumos em maior quantidade e segundo, porque pagamos mais por eles”.

Monteiro acrescenta que com as terras mais pobres do Estado em relação ao Paraná, qualquer outro componente do custo de produção traria ao produtor custos igualitários em nível Brasil, “mas o custo do transporte, seja do frete do fertilizante ou frete para escoar a produção, e dos fertilizantes, vão abocanhar mais de 90% de todo o investimento que o produtor fizer nesta nova safra. Enquanto o produtor paranaense terá cerca de 37% de sua receita, o mato-grossense fica apenas com 7%”.


Modelo – Segundo Monteiro, mesmo Mato Grosso tendo recuperado o status de produzir 30% da soja brasileira, já foi o tempo em que plantar a oleaginosa por aqui era vantajoso, já que a terra barata permitia ganho em escala de produção. “Essa mudança de cenário, com o barril do petróleo saltando de US$ 80 para US$ 140, obriga a uma revisão do nosso modelo, já que ele estava baseado num modelo de produção com o barril a US$ 60”, observa. “Era um modelo viável lá atrás. Hoje, as contas baseadas apenas nos custos variáveis não refletem mais as necessidades do sojicultor mato-grossense”, completou.

A busca por um novo modelo, como explica o executivo da Aprosoja/MT, está centrada na vertilicalização da produção agrícola estadual: “Plantar grão e vender a carne, ou seja, agregar valor à produção primária”.

Monteiro conta que atualmente o plantio do milho no Estado com objetivo de vender o grão é algo incoerente, já que o escoamento da produção abocanha 40% do preço da tonelada. “Uma tonelada deste grão custa US$ 259 e para transportar gasta-se cerca de US$ 100 de frete. Já se esse milho for revestido na alimentação de suínos aqui no Estado, vamos comercializar a tonelada da carne por cerca de US$ 2,5 mil, por um frete de US$ 200, que representaria 8% do valor da produção”.
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