Dólar forte e El Niño devem ditar preços no 2º semestre
Grãos, fertilizantes e câmbio: o que esperar do 2º semestre
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Um El Niño forte, o dólar em alta e a guerra no Oriente Médio devem comandar o comportamento das commodities no terceiro trimestre de 2026. É o que aponta a StoneX, que divulgou nesta terça-feira (7) a 36ª edição do seu Relatório Trimestral de Perspectivas para Commodities. Segundo dados divulgados, três frentes vão concentrar as atenções do mercado nos próximos meses: os rumos do conflito no Oriente Médio, a permanência de condições financeiras restritivas nas grandes economias e a possibilidade de um El Niño de intensidade forte e historicamente relevante. Juntos, esses fatores devem pressionar preços, margens e o fluxo de comércio internacional de commodities.
Vitor Andrioli, gerente de Inteligência de Mercado da StoneX, resume o momento como de complexidade elevada: "Entramos no terceiro trimestre em um ambiente de elevada complexidade para os mercados globais. Geopolítica, política monetária e clima seguem exercendo influência simultânea sobre os preços das commodities, exigindo atenção redobrada de empresas e participantes das cadeias produtivas. Nosso relatório busca justamente traduzir esses movimentos e identificar os fatores que podem gerar riscos ou oportunidades nos próximos meses."
Para grãos e oleaginosas, de acordo com a StoneX, o abastecimento ainda é confortável no curto prazo, mas isso não afasta os riscos: o calor intenso já registrado no início do verão nos Estados Unidos e em regiões produtoras da Europa acende um sinal de alerta sobre a produtividade das lavouras. Some-se a isso o custo elevado de insumos como fertilizantes e energia, que pode influenciar as decisões de plantio da próxima safra no Hemisfério Sul.
O mercado de fertilizantes deve ter um comportamento desigual, aponta o relatório. A volta das exportações chinesas de ureia e o arrefecimento das tensões no Oriente Médio tendem a beneficiar quem compra — mas nem todos os segmentos vão sentir o alívio da mesma forma. Enquanto os nitrogenados seguem com suporte de demanda de países como Brasil e Índia, os fosfatados continuam travados por restrições na oferta de enxofre e custos de produção que não cedem.
Já no setor de energia, a StoneX projeta que a guerra envolvendo o Irã continue sendo o principal fator de influência sobre os preços do petróleo. Mesmo com uma acomodação recente das cotações, a oferta global se recupera em ritmo lento, enquanto a demanda segue aquecida — puxada pela Ásia e pela atividade forte das refinarias nos Estados Unidos. O resultado é um equilíbrio entre oferta e demanda que deve permanecer apertado.
As soft commodities devem seguir caminhos distintos, segundo a StoneX. O algodão tem preços sustentados pela combinação de produção global menor com demanda asiática mais forte. O café, por outro lado, deve sentir a pressão da entrada da safra recorde do Brasil no mercado — ainda que estoques baixos, atrasos na colheita e riscos climáticos sirvam de contrapeso. O açúcar segue refém da oferta ampla do Centro-Sul brasileiro, enquanto o cacau dá sinais de acomodação, beneficiado pela retomada da produção na África Ocidental, mesmo com a volatilidade ainda alta.
Para os metais, a StoneX projeta cenários diferentes conforme o tipo. Ouro e prata permanecem sensíveis à tensão entre riscos geopolíticos e a postura rígida do Federal Reserve. Os metais industriais, por sua vez, seguem com demanda firme puxada pela inteligência artificial, pela transição energética e pela formação de estoques estratégicos — embora juros altos, dólar forte e sinais mistos da indústria global limitem altas mais fortes.
No câmbio, a expectativa da StoneX é de que o USD/BRL continue pressionado para cima pela diferença entre as políticas monetárias dos Estados Unidos e do Brasil. A manutenção — ou até uma eventual alta — dos juros americanos, somada a novos cortes esperados na Selic, deve seguir favorecendo o dólar frente ao real. "O fortalecimento do dólar e a perspectiva climática para a safra 2026/27 são dois temas que merecem atenção especial neste trimestre. Ambos têm potencial para gerar impactos relevantes sobre custos, margens e formação de preços em diferentes cadeias de commodities", complementa Andrioli.