É possível conseguir zero deriva?
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Imagem: Marcel Oliveira
EXEMPLO

É possível conseguir zero deriva?

Produtores fizeram pequenos ajustes e contam como chegaram à deriva zero
Por: -Eliza Maliszewski

O exemplo vem do Rio Grande do Sul, estado onde a deriva de herbicidas hormonais já trouxe muitos problemas. O caso ocorreu em 2018 quando lavouras vizinhas à outras que aplicaram 2,4-D tiveram prejuízos em seu desenvolvimento, principalmente videira e oliveiras.

Com isso o estado se mobilizou e editou uma série de instruções normativas com o intuito de resolver este problema. A norma envolve uma série de requisitos como a obrigatoriedade do produtor rural de assinar um Termo de Conhecimento de Risco e de Responsabilidade na receita agronômica, regras para o cadastro dos aplicadores de produtos agrotóxicos hormonais, a necessidade de o produtor prestar informações no que diz respeito a isto e a regulamentação da venda orientada de agrotóxicos hormonais.

Na prática

Os resultados estão aparecendo. Com pequenas alterações no bico dos pulverizadores produtores conseguiram alcançar a deriva zero. Um dos exemplos está na propriedade Luciano Viegas, em Santiago, na região Central. Ele planta cerca de 300 hectares com soja, milho e pastagens e depois de uma notificação na safra passada, resolveu agir. Fez todos os ajustes necessários nos aplicadores, trocando o bico que era utilizado por um nº 03, que produz uma gota mais grossa, que dificulta a deriva. E também passou a monitorar as condições climáticas como vento, umidade e temperatura. “Eu não tinha um conhecimento mais profundo, mas depois que fiz o curso e com as orientações da fiscalização, eu me adequei melhor. Além de ser a lei, nós temos parreiral, arvoredo, e nos preocupamos com os vizinhos”, diz.

O mesmo resultado é comemorado há 140 quilômetros da propriedade de Luciano, no município de Maçambará, na Fronteira. Lá está a produtora Gisele Wenning, que tem em torno de 6 mil hectares plantados com soja, trigo e outras culturas. Ela garante que conseguiu a deriva zero fazendo as aplicações em clima ideal. Os funcionários também passaram por treinamento. “Criei um grupo no whatsapp onde, ao final de cada dia, sei o que foi aplicado, em que área da propriedade e por quem. O controle ficou tão bom que hoje estamos usando esta ferramenta para todas as aplicações feitas na propriedade: herbicidas, fungicidas e inseticidas”, ressalta Gisele.

Controle segue

As regiões receberam reuniões de orientação e cursos para produtores, empresas e responsáveis técnicos sobre a aplicação dos hormonais e os riscos de deriva.  “Está tendo uma mudança de comportamento, de atitude, de todos os envolvidos na cadeia produtiva”, destaca o fiscal, Alonso Duarte de Andrade.

De acordo com Rafael Lima, chefe da Divisão de Insumos e Serviços Agropecuários da Seapdr, o desafio ainda é grande. “Nós teremos para o próximo ano a vigência de todos os municípios dentro das instruções normativas, portanto, o envolvimento de toda a cadeia produtiva e a participação dos profissionais na prescrição dos produtos e no acompanhamento das aplicações é fundamental”, destaca ele.

Maçambará e Santiago estão na lista dos 24 municípios prioritários que registraram casos de deriva em 2018. Os demais são: Alpestre, Bagé, Cacique Doble, Candiota, Dom Pedrito, Encruzilhada do Sul, Hulha Negra, Ipê, Jaguari, Jari, Lavras do Sul, Mata, Monte Alegre dos Campos, Piratini, Rosário do Sul, São Borja, São João do Polêsine, São Lourenço do Sul, Santana do Livramento, Silveira Martins, Sobradinho, Vacaria.
 
 


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