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El Niño: trajetória e incertezas. O que vem pela frente?

Clima está sob o regime do fenômeno e condição deve persistir até 2024


Foto: Pixabay

Os diversos centros de monitoramento climático têm observado de maneira constante o comportamento das águas na região do oceano Pacífico equatorial, e há uma tendência gradual de fortalecimento do fenômeno El Niño.

De acordo com informações do Instituto Internacional de Pesquisa para o Clima e Sociedade da Universidade de Columbia, nos Estados Unidos (IRI/Columbia), em meados de setembro de 2023, as condições do El Niño no centro-leste do Pacífico equatorial se intensificaram ainda mais. As principais variáveis oceânicas e atmosféricas estão em conformidade com a ocorrência de um evento moderado de El Niño.

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Conforme o metereologista do Portal Agrolink, Gabriel Rodrigues, a maioria dos modelos de previsão da IRI para o ENSO indica que o evento El Niño persistirá até o outono boreal de 2024, com um subsequente enfraquecimento a partir desse período. A neutralidade do ENSO torna-se a categoria mais provável para os meses de maio a julho de 2024, com uma probabilidade de 57%.

Previsão probabilística para El Niño (vermelho), Neutralidade (cinza) e La Niña (azul) nos trimestres corridos. Fonte: IRI.

Por sua vez, o Bureau de Meteorologia Australiano (BOM) afirma com convicção que os indicadores oceânicos apontam firmemente para a presença do fenômeno El Niño. As temperaturas da superfície do mar (TSM) nas regiões Central e Oriental do Pacífico continuam a superar consistentemente os limiares característicos do El Niño.

Os padrões de pressão em grande escala sobre o Pacífico tropical estão claramente refletindo os efeitos do El Niño, como evidenciado pelo Índice de Oscilação Sul (SOI) dos últimos 90 dias, que registra um valor de -7,7. Embora a força dos ventos alísios recentes tenha se mantido geralmente próxima à média, houve uma ligeira diminuição em relação à média no Pacífico tropical durante o mês de agosto de 2023, marcando a primeira vez desde janeiro de 2020.

No contexto geral, há indícios de que a atmosfera está reagindo ao padrão das temperaturas da superfície do mar no Pacífico tropical, sinalizando o início do acoplamento entre o oceano e a atmosfera. Esse acoplamento é uma característica distintiva de um evento El Niño e é o que o fortalece e sustenta ao longo de um período prolongado.

Os modelos climáticos sugerem que este episódio do El Niño deverá persistir pelo menos até o final de fevereiro.

 

Aquecimento global

Durante os meses de abril a agosto de 2023, as temperaturas globais da superfície do mar (TSM) atingiram níveis sem precedentes, estabelecendo recordes de calor para seus respectivos meses. Em particular, as TSM registradas em agosto de 2023 representaram a temperatura mais elevada já registrada em qualquer mês desde o início dos registros observacionais em 1850. Além disso, tanto julho quanto agosto de 2023 figuraram, respectivamente, como os meses mais quentes e o segundo mais quentes já registrados em termos de temperatura do ar a 2 metros acima da superfície terrestre em todo o mundo.

Material elaborado pelo metereologista, Gabriel Rodrigues com colaboração e revisão de Aline Merladete.

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