El Niño amplia atenção sobre safra de arroz 2026/27
Para o arroz, o risco apontado não está necessariamente ligado à falta de água
Para o arroz, o risco apontado não está necessariamente ligado à falta de água - Foto: USDA
Os alertas sobre a atuação do El Niño na próxima safra de arroz ganharam força nas últimas semanas, com sinais semelhantes vindos de diferentes fontes meteorológicas e centros de pesquisa. A avaliação é de Sergio Cardoso, analista da cadeia de arroz, que considera necessário acompanhar com atenção a repetição desses avisos e seus possíveis efeitos sobre a produção no Mercosul.
Entre os sinais recentes está a análise do INIA Uruguai, segundo a qual o El Niño já está instalado, é classificado como forte e pode continuar se intensificando nos próximos meses. O cenário eleva a probabilidade de chuvas acima da média durante a primavera e o início do verão no Uruguai, principalmente na região norte.
Para o arroz, o risco apontado não está necessariamente ligado à falta de água. O excesso de precipitações pode reduzir os dias disponíveis para preparo das áreas, semeadura, fertilização, manejo das lavouras e colheita, encurtando as janelas de trabalho no campo.
Cardoso ressalta que previsão climática não representa certeza e que a presença de El Niño não significa, por si só, quebra de safra. A meteorologia trabalha com probabilidades, e as condições ainda podem mudar nos próximos meses. Por isso, o cenário deve ser acompanhado semana a semana, observando chuva, evolução das áreas preparadas, ritmo de semeadura e, mais adiante, luminosidade e desenvolvimento das lavouras.
Ao mesmo tempo, o analista avalia que a quantidade, a frequência e a convergência dos alertas não devem ser ignoradas. Ainda em agosto, há um longo caminho pela frente, mas o El Niño tende a permanecer entre os principais fatores de atenção na construção da safra de arroz 2026/27 no Mercosul. Para Cardoso, o momento exige acompanhamento dos fatos, sem alarmismo e sem desprezar os sinais disponíveis.