El Niño aumenta importância do manejo pré-plantio
Produtores precisam se preparar para uma maior irregularidade climática
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A possibilidade de ocorrência de um Super El Niño no ciclo 2026/27 coloca a irregularidade das chuvas entre os principais pontos de atenção para o agronegócio. Dependendo da região, o cenário pode ser marcado pela alternância entre volumes excessivos de precipitação e períodos de veranico, com impactos sobre o desenvolvimento das culturas.
Segundo Julia Barreto, coordenadora de Desenvolvimento Técnico de Mercado no Grupo UbyAgro, essas variações podem aumentar o estresse das plantas, principalmente quando ocorrem em fases decisivas para a definição do potencial produtivo. “Quando falamos em um cenário de El Niño, o principal ponto é que os produtores precisam se preparar para uma maior irregularidade climática. Dependendo da região, podemos ter excesso de chuva em alguns períodos e veranicos em outros, o que aumenta muito o estresse das plantas”, afirma.
Na avaliação da coordenadora, as decisões de manejo devem priorizar o aumento da capacidade das lavouras de suportar condições adversas. “Mais do que tentar prever o clima, o foco do produtor rural deve estar no aumento da resiliência da lavoura. Quanto mais preparada estiver a planta, maior será sua capacidade de preservar o potencial produtivo diante das adversidades climáticas”, diz.
Sistema radicular influencia absorção de água e nutrientes
O desenvolvimento das raízes é apontado por Julia como um dos fatores que podem contribuir para a estabilidade da produção. O sistema radicular é responsável pela absorção de água e nutrientes e influencia a capacidade da planta de responder a períodos de seca e temperaturas elevadas.
“As raízes são um componente-chave da produtividade. É por meio delas que a planta consegue absorver água e nutrientes e enfrentar com mais facilidade períodos de estresse”, explica. De acordo com a coordenadora, sistemas radiculares profundos, saudáveis e bem distribuídos permitem que as plantas explorem um volume maior de solo. Dessa forma, podem aproveitar melhor a umidade disponível e manter o metabolismo ativo por mais tempo.
“Quando falamos de uma planta com um sistema radicular mais profundo, bem distribuído e saudável, estamos falando de uma planta com maior capacidade para explorar o solo e aproveitar a umidade disponível naquele momento”, afirma. Por esse motivo, Julia defende que o estímulo ao desenvolvimento das raízes seja iniciado nas primeiras etapas do ciclo. “Investir no sistema radicular desde o início é uma estratégia para aumentar a estabilidade da produção, principalmente em anos com condições climáticas mais desafiadoras”, acrescenta.
Manejo começa antes da semeadura
A preparação da lavoura, segundo a coordenadora, deve começar antes do plantio. Entre as medidas citadas estão o planejamento da safra, a correção do solo e a adubação de base. “A preparação da lavoura começa muito antes da semeadura. O produtor precisa começar com um bom planejamento, uma boa correção do solo e uma adubação de base adequada”, orienta.
Julia também recomenda que o produtor avalie a utilização de tecnologias nutricionais e biológicas voltadas ao desenvolvimento e à proteção do sistema radicular. No caso das soluções biológicas, a coordenadora destaca o uso de microrganismos benéficos. Segundo ela, esses organismos podem estimular o crescimento das raízes e auxiliar na proteção contra nematoides e doenças de solo.
“É importante que o produtor invista não apenas em tecnologias nutricionais, que estimulem o crescimento e o desenvolvimento do sistema radicular, mas também em tecnologias biológicas, que podem aumentar a resiliência das plantas”, afirma.
Integração de estratégias pode favorecer estabelecimento inicial
A combinação entre correção do solo, nutrição e manejo biológico pode contribuir para o estabelecimento inicial das culturas, de acordo com Julia. Uma lavoura bem estabelecida no início do ciclo, segundo a coordenadora, tende a apresentar maior capacidade para atravessar períodos de estresse com menor impacto sobre o crescimento e a produtividade. “Quando combinamos os manejos biológicos com a nutrição, temos um melhor estabelecimento inicial da cultura. Uma cultura bem estabelecida possui maior capacidade para atravessar momentos de estresse”, diz.
A recomendação vale para culturas como soja, milho e café, mencionadas no material apresentado pelo Grupo UbyAgro. As práticas, no entanto, devem ser definidas de acordo com as condições de cada área e com o planejamento do produtor.
Custos exigem maior atenção ao retorno dos investimentos
Além das incertezas climáticas, o cenário de custos elevados aumenta a necessidade de selecionar com mais rigor os insumos e as tecnologias utilizadas na lavoura. Para Julia, a escolha deve considerar a eficiência da solução e o retorno esperado sobre o investimento.
“Em um momento de clima desafiador, o produtor precisa buscar tecnologias focadas em eficiência e que realmente entreguem um melhor retorno sobre o investimento”, afirma. Entre os resultados esperados, a coordenadora cita o melhor aproveitamento dos nutrientes, o fortalecimento das raízes, o aumento da tolerância ao estresse e a preservação do potencial produtivo.
“Um bom planejamento e decisões baseadas na eficiência das tecnologias implementadas permitem que o produtor direcione melhor seus investimentos, reduza riscos e torne a produção mais sustentável e rentável”, conclui.