Super El Niño perdeu força? Veja o que dizem os dados
Pausa no aquecimento não encerra o Super El Niño
Foto: Pixabay
O El Niño apresentou uma estabilização temporária nas últimas semanas, mas os indicadores ainda apontam para um evento de intensidade excepcional. Segundo dados divulgados pela Meteored, com base na atualização semanal da NOAA desta segunda-feira (24), a anomalia de temperatura da superfície do mar na região Niño 3.4 permaneceu em +1,8°C, enquanto os modelos seguem indicando valores elevados nos próximos meses. Após uma sequência de altas expressivas nas temperaturas do Pacífico tropical, a anomalia relativa da TSM na região Niño 3.4 ficou em +1,8°C na última semana, mesmo valor registrado nas duas semanas anteriores.
A anomalia absoluta, que considera o aquecimento de fundo dos oceanos, recuou levemente de +2,7°C para +2,6°C na comparação semanal. A estabilização, porém, não significa que o fenômeno tenha perdido força. Segundo dados divulgados pela Meteored, oscilações de curto prazo são comuns e não necessariamente representam mudança na tendência do El Niño.
Oscilação semanal não define intensidade do fenômeno
Os índices semanais sofrem influência de processos atmosféricos e oceânicos de menor escala e duração. Por isso, os centros climáticos internacionais utilizam principalmente médias mensais e trimestrais para avaliar a intensidade e a evolução do fenômeno.
Uma variação de alguns décimos de grau em apenas uma semana, portanto, não é suficiente para caracterizar o enfraquecimento do evento nem para determinar sua magnitude final. O comportamento observado nas últimas semanas deve ser analisado dentro de uma tendência mais ampla, considerando a evolução dos indicadores oceânicos e atmosféricos.
MJO ajuda a explicar estabilização do El Niño
Um dos fatores que podem ter contribuído para a recente estabilização foi o comportamento da Oscilação Madden-Julian (MJO), padrão de variabilidade tropical capaz de influenciar temporariamente as condições atmosféricas sobre o Pacífico equatorial. Quando atua nas fases 6 e 7, a MJO pode favorecer o aquecimento na região do Niño 3.4.
Durante agosto, a oscilação avançou brevemente para a fase 6. Entretanto, sua amplitude permaneceu moderada e por um período relativamente curto. Com isso, houve limitação na ocorrência de anomalias de vento de oeste mais persistentes sobre o Pacífico equatorial, reduzindo o impulso adicional que poderia acelerar o aquecimento.
As previsões indicavam que a MJO poderia favorecer condições mais propícias ao aumento das temperaturas durante a segunda quinzena de agosto. Essa atuação, porém, acabou sendo mais fraca do que o esperado. Isso não significa que o El Niño perdeu força. O resultado indica apenas que um dos mecanismos capazes de intensificar o aquecimento não se manifestou conforme previsto.
Modelos ainda apontam El Niño muito forte
Apesar da pausa recente, os indicadores oceânicos e atmosféricos continuam compatíveis com um El Niño muito forte, chamado de “Super El Niño” pela mídia. Segundo dados divulgados pela Meteored, os modelos climáticos continuam prevendo anomalias excepcionalmente elevadas durante a primavera e o início do verão no Hemisfério Sul. As temperaturas podem alcançar cerca de 3,5°C de anomalia nesse período, mantendo o fenômeno em níveis considerados excepcionais.
Tendência de longo prazo segue em alta
A estabilização registrada nas últimas semanas exige cautela na interpretação dos dados. O comportamento semanal, isoladamente, não permite concluir que o fenômeno esteja enfraquecendo. O principal indicador a ser acompanhado é a tendência de longo prazo. Segundo dados divulgados pela Meteored, essa tendência ainda aponta para a manutenção de um El Niño excepcionalmente intenso nos próximos meses.