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El Niño forte deve marcar o inverno de 2026

O inverno começa oficialmente em 21 de junho


Foto: Canva

O inverno de 2026 começa oficialmente em 21 de junho, às 5h24, e segue até 22 de setembro. De acordo com o Prognóstico Climático de Inverno divulgado pelo Instituto Nacional de Meteorologia, a estação será marcada por chuvas abaixo da média em grande parte do país, temperaturas acima dos padrões históricos em diversas regiões e pela atuação de um episódio de El Niño de forte intensidade, que deverá influenciar diretamente as condições climáticas e as atividades agropecuárias nos próximos meses.

Segundo o Inmet, o inverno é tradicionalmente o período menos chuvoso nas regiões Sudeste, Centro-Oeste e em parte das regiões Norte e Nordeste. Nesse período, a persistência de massas de ar seco reduz a umidade relativa do ar e dificulta a ocorrência de precipitações. O cenário favorece o aumento das queimadas e incêndios florestais, além de contribuir para o agravamento de problemas respiratórios e outros impactos à saúde da população.

No Oceano Pacífico Equatorial, as temperaturas da superfície do mar vêm registrando anomalias positivas desde março deste ano, configurando um padrão compatível com a atuação do fenômeno El Niño. As projeções do APEC Climate Center indicam 100% de probabilidade de ocorrência do fenômeno entre julho, agosto e setembro de 2026, com 99,4% de chance de que ele se manifeste em intensidade forte.

O prognóstico aponta que o trimestre de julho a setembro deverá transcorrer sob influência do El Niño, com elevada probabilidade de manutenção da fase quente do fenômeno ao longo de todo o período. Diante desse cenário, o Inmet ressalta a importância do monitoramento contínuo das condições climáticas, especialmente nas principais regiões produtoras do país.

Na Região Norte, a previsão indica predominância de chuvas abaixo da média climatológica. Associadas às temperaturas mais elevadas, essas condições tendem a aumentar a evaporação, reduzir a disponibilidade de água no solo e ampliar o risco de deficiência hídrica. O cenário pode afetar pastagens, culturas perenes e sistemas de agricultura familiar, principalmente em áreas com menor capacidade de retenção de água.

Para a Região Nordeste, a expectativa também é de precipitações abaixo da média e temperaturas superiores aos padrões históricos. O quadro poderá elevar a demanda hídrica das culturas e reduzir o armazenamento de água no solo. Enquanto as áreas de feijão de terceira safra em estágio avançado podem ser beneficiadas pelas condições mais secas durante a colheita, lavouras ainda em desenvolvimento poderão enfrentar perdas por comprometimento do florescimento e do enchimento de grãos. A redução da disponibilidade hídrica também pode impactar a pecuária, com menor oferta de forragem e aumento da necessidade de suplementação alimentar.

No Centro-Oeste, as condições climáticas devem favorecer a colheita do milho segunda safra, do algodão e da cana-de-açúcar, além da conclusão do ciclo das lavouras mais tardias. No entanto, as temperaturas acima da média poderão intensificar a deficiência hídrica entre agosto e setembro, especialmente em áreas que já apresentam baixos níveis de umidade no solo. O impacto tende a ser mais significativo para pastagens, recursos hídricos utilizados pela pecuária e para o início do próximo ciclo agrícola.

No Sudeste, a previsão de chuvas próximas da média histórica deverá favorecer o desenvolvimento das culturas de inverno, como trigo e aveia, sobretudo no sul paulista. O Inmet destaca que as temperaturas mais elevadas podem acelerar o ciclo dessas culturas, reduzindo o período de enchimento dos grãos e aumentando a suscetibilidade a doenças foliares. Para o café, as condições climáticas devem favorecer a colheita e contribuir para floradas mais uniformes após o período seco, desde que as chuvas retornem adequadamente. Citros e cana-de-açúcar também podem ser beneficiados pela combinação de calor e disponibilidade hídrica considerada satisfatória.

Na Região Sul, a expectativa é de chuvas acima da média em grande parte dos estados. O cenário tende a favorecer o desenvolvimento das culturas de inverno, mas poderá elevar o risco de doenças fúngicas devido ao excesso de umidade combinado com temperaturas ligeiramente superiores ao normal. Por outro lado, a maior nebulosidade e o calor relativo podem reduzir a ocorrência de geadas tardias, evento que costuma causar prejuízos às culturas de inverno e às lavouras perenes da região.

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