El Niño pode elevar inflação de alimentos no país
A análise utiliza um modelo de projeção local não linear para estimar os impactos
A análise utiliza um modelo de projeção local não linear para estimar os impactos - Foto: NOAA
Eventos de El Niño podem pressionar os preços dos alimentos no Brasil ao alterar os regimes de temperatura e precipitação e, com isso, afetar a oferta agrícola. Segundo o Rabobank, os efeitos sobre a inflação tendem a aparecer primeiro nos produtos in natura e podem ganhar alcance conforme aumenta a intensidade do fenômeno.
A análise utiliza um modelo de projeção local não linear para estimar os impactos do ENSO sobre os componentes de alimentação no domicílio do IPCA. Nos episódios moderados de El Niño, a maior pressão se concentra nos alimentos in natura, cuja inflação pode subir até 13,4 pontos percentuais seis meses depois da ocorrência do evento.
Quando o episódio é classificado como forte, o impacto deixa de ficar restrito aos itens mais diretamente ligados à produção agrícola. O choque passa gradualmente para alimentos semi-elaborados e industrializados, ampliando a transmissão da alta de preços ao conjunto da alimentação consumida pelas famílias.
Nesse cenário de maior intensidade, o efeito estimado sobre o IPCA chega a aproximadamente 0,83 ponto percentual após seis meses. O resultado indica que a força do El Niño influencia não apenas o tamanho da pressão inflacionária, mas também sua capacidade de se espalhar entre diferentes grupos de alimentos.
Os efeitos também variam entre as regiões metropolitanas analisadas. De acordo com o estudo, localidades com maior exposição aos alimentos in natura tendem a registrar impactos mais rápidos e intensos. Essa diferença regional reforça que a composição do consumo tem papel importante na forma como os choques climáticos chegam aos preços pagos pelas famílias.