El Niño pode transformar seca em ameaça às florestas
"Historicamente, nossa análise de risco se baseia em nosso ativo florestal"
"Historicamente, nossa análise de risco se baseia em nosso ativo florestal" - Foto: NOAA
A possibilidade de retorno do El Niño no segundo semestre de 2026 elevou a atenção para o risco de incêndios florestais no Centro-Oeste, especialmente diante da perspectiva de seca mais severa entre agosto e outubro. O cenário tem reforçado ações preventivas, com monitoramento contínuo, ampliação de equipes, capacitação e modernização de equipamentos voltados à resposta rápida em campo.
Em Água Clara, a MS Florestal mantém uma central de monitoramento responsável por acompanhar focos de calor em florestas próprias, perímetros urbanos, áreas de empresas parceiras e matas nativas. A estrutura atende municípios como Bataguassu, Nova Andradina, Santa Rita do Pardo, Campo Grande, Água Clara, Ribas do Rio Pardo e Inocência, com despachos estratégicos em alinhamento com o Corpo de Bombeiros Militar de Mato Grosso do Sul.
Dados apresentados pela Reflore MS durante a campanha Fogo Zero apontam que descargas elétricas são a principal causa de ignição nas áreas monitoradas. O levantamento também destaca riscos ligados a superaquecimento de equipamentos e curtos-circuitos, além da influência de atividades humanas e fatores de infraestrutura.
Segundo Wellington Santos, coordenador de Patrimonial e Brigada de Incêndios Florestais da MS Florestal, o período mais crítico deve ocorrer entre agosto, setembro e outubro. A companhia mantém brigada própria durante todo o ano e ampliou o efetivo diante do início das operações de colheita e do acúmulo de madeira no campo.
"Historicamente, nossa análise de risco se baseia em nosso ativo florestal, mas sabemos que o fogo é um mal que não respeita limites geográficos. Por isso, a esmagadora maioria das ocorrências que combatemos nestes primeiros meses ocorreu em áreas de vizinhos, evitando que as chamas ganhassem proporções gigantescas. Este ano, com o clima severo impulsionado pelo El Niño, nosso foco preventivo é ainda maior. Para alcançar a eficiência em campo, é essencial investir em inteligência e nas pessoas, e é por isso que nossa central em Água Clara e nossos brigadistas estão permanentemente preparado”, conclui.