El Niño reforça importância do planejamento da irrigação
El Niño reforça preocupação com falta de chuva no Espírito Santo
Foto: OceanOPS
A previsão climática do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) para o trimestre entre julho e setembro acendeu um alerta para o setor agropecuário. No Espírito Santo, a probabilidade de chuvas abaixo da média supera 60%, com volumes que podem ficar até 100 milímetros inferiores ao esperado para o período. Em outras regiões do país, a influência do El Niño também pode alterar o regime de precipitações, provocando estiagens em algumas áreas e chuvas acima da média em outras.
Diante desse cenário, produtores rurais são orientados a antecipar medidas de planejamento para reduzir os impactos da possível escassez hídrica. O foco, segundo especialistas do setor, deve estar na preparação da próxima safra e na adoção de soluções que aumentem a eficiência no uso da água disponível nas propriedades.
O diretor da Hydra Irrigações, primeira revenda Netafim do Brasil, Elídio Torezani, afirmou que o planejamento é um dos principais instrumentos para enfrentar a maior variabilidade climática. “O clima é um fator que foge do controle do produtor, mas o planejamento não. Quando a gente sabe que existe a possibilidade de um período mais seco, esse é o momento de avaliar a estrutura da propriedade, a disponibilidade de água e verificar se o sistema de irrigação está preparado para atender a demanda da lavoura”, disse.
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Na avaliação do especialista, investir em irrigação não significa necessariamente aumentar o consumo de água, mas utilizá-la de forma mais eficiente. Ele destacou que os sistemas atuais permitem aplicar apenas a quantidade necessária para cada cultura, reduzindo desperdícios e contribuindo para a manutenção da produtividade.
Segundo Torezani, a principal evolução das tecnologias de irrigação está na precisão do manejo. Enquanto sistemas mais tradicionais utilizam principalmente dados climáticos para definir o momento da irrigação, as soluções mais modernas também consideram as condições reais do conjunto solo, planta e atmosfera, incorporando fatores que influenciam a capacidade de absorção de água pelas culturas.
“Hoje existem tecnologias que permitem irrigar com muito mais precisão, aplicando água somente quando a planta realmente precisa. Quando a recomendação considera as condições reais do solo, da planta e da atmosfera, o uso da água se torna mais eficiente, preserva os recursos hídricos e ajuda o produtor a manter a produtividade mesmo em períodos de estiagem”, explicou.
O diretor da Hydra Irrigações ressaltou ainda que não há um modelo único de irrigação aplicável a todas as propriedades. Segundo ele, o projeto deve ser dimensionado de acordo com características como tipo de solo, cultura cultivada, disponibilidade hídrica e relevo da área.
“Não existe uma receita pronta. Cada propriedade precisa de uma solução específica. Um projeto bem dimensionado traz economia de água, melhora o desempenho da lavoura e dá mais tranquilidade ao produtor para enfrentar períodos de chuvas abaixo do esperado”, destacou.
A preocupação com os impactos do El Niño também levou o Governo do Espírito Santo a lançar um Plano Estratégico de Preparação e Enfrentamento ao fenômeno. Entre as medidas voltadas ao setor agropecuário estão a ampliação da assistência técnica, a criação de linhas de financiamento para pequenas barragens, investimentos em infraestrutura hídrica e incentivo à formação de reservas de água nas propriedades.
O plano estadual prevê ainda a entrega antecipada de carros-pipa e maquinários aos municípios, a formação de estoques estratégicos de silagem para alimentação dos rebanhos e o fortalecimento do monitoramento das condições climáticas e dos recursos hídricos.
Para Torezani, iniciativas de fortalecimento da segurança hídrica são importantes, mas os resultados dependem principalmente do planejamento realizado dentro de cada propriedade rural.
“Quem se prepara com antecedência consegue enfrentar um período de estiagem com muito mais segurança. A água é um recurso estratégico para a agricultura e precisa ser administrada com eficiência durante o ano todo, não apenas quando a seca já começou”, concluiu.