Embaixador destaca protagonismo do Brasil na agenda climática e potencial dos biocombustíveis
Brasil já é reconhecido internacionalmente pela produção de etanol e biodiesel
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A implementação dos compromissos climáticos, o protagonismo dos governos subnacionais e as oportunidades para o Brasil na economia de baixo carbono foram os principais temas abordados pelo embaixador André Corrêa do Lago durante o seminário Campo das Ideias, realizado em Porto Alegre.
Em sua palestra, o diplomata defendeu que a comunidade internacional já dispõe de regras suficientes para avançar na implementação das políticas climáticas negociadas ao longo das últimas décadas. Segundo ele, embora as negociações internacionais continuem exigindo consenso entre os países, a execução das decisões já aprovadas pode ser acelerada por meio da atuação de governos, empresas e outras instituições.
Corrêa do Lago ressaltou que os governos subnacionais desempenham um papel estratégico nesse processo, pois podem adotar políticas públicas e desenvolver iniciativas antes mesmo que elas sejam implementadas pelos governos nacionais. Como exemplo, citou estados norte-americanos que continuam seguindo os compromissos do Acordo de Paris, independentemente da posição adotada pelo governo federal dos Estados Unidos.
O embaixador também destacou a proposta brasileira para a Agenda de Ação da COP30, que será realizada em Belém (PA). Segundo ele, a estrutura apresentada pelo Brasil foi amplamente aceita nas negociações internacionais e servirá como modelo para os próximos cinco anos, orientando as ações de implementação das decisões já aprovadas nas Conferências das Partes (COPs).
De acordo com o diplomata, a Agenda de Ação foi concebida para transformar em iniciativas concretas os compromissos assumidos pelos países, especialmente aqueles definidos a partir do Balanço Global aprovado em 2023, que identifica os avanços e os desafios para o cumprimento das metas climáticas.
Corrêa do Lago afirmou que essa estratégia não substitui as negociações formais, mas complementa o processo ao permitir que países, empresas e governos avancem na implementação das ações sem depender de novas decisões consensuais. Na avaliação do embaixador, essa abordagem amplia a capacidade de resposta diante da urgência imposta pelas mudanças climáticas.
O diplomata também destacou que o Brasil continuará defendendo, nas negociações oficiais, os interesses dos países em desenvolvimento, especialmente em temas relacionados à mitigação das emissões, adaptação às mudanças do clima e acesso ao financiamento internacional. Segundo ele, esses países precisam contar com tempo e apoio dos países desenvolvidos para implementar suas políticas climáticas.
Outro ponto enfatizado durante o seminário foi a defesa da construção de roteiros internacionais para orientar a transição energética, incluindo a redução gradual do uso de combustíveis fósseis e o avanço das ações para eliminar o desmatamento até 2030. Conforme explicou, essas diretrizes já foram aprovadas nas conferências do clima e agora entram em uma fase voltada à implementação.
Biocombustíveis
Ao abordar as oportunidades econômicas da transição energética, André Corrêa do Lago afirmou que o Brasil reúne condições para se tornar uma referência mundial na produção de biocombustíveis destinados aos setores de aviação e navegação, segmentos considerados entre os mais desafiadores para a redução das emissões de gases de efeito estufa.
Segundo o embaixador, o país já é reconhecido internacionalmente pela produção de etanol e biodiesel, mas possui potencial para ampliar sua atuação com o desenvolvimento de combustíveis sustentáveis voltados ao transporte marítimo e aéreo.
Ele explicou que um dos principais obstáculos nas negociações internacionais sobre a adoção obrigatória desses combustíveis é a dúvida quanto à capacidade de produção em escala global. Nesse contexto, avaliou que o Brasil pode assumir um papel de liderança ao demonstrar que possui condições de ampliar a oferta e atender à futura demanda internacional.
Além da contribuição para a descarbonização da aviação e da navegação, Corrêa do Lago destacou que esses novos mercados poderão gerar maior valor agregado do que os biocombustíveis atualmente destinados ao transporte rodoviário, criando oportunidades para o agronegócio, a indústria e fortalecendo a posição brasileira na economia de baixo carbono.
Ao encerrar sua participação no Campo das Ideias, o embaixador reforçou que a COP30 representa uma oportunidade para o Brasil exercer liderança internacional não apenas nas negociações climáticas, mas principalmente na implementação de soluções capazes de acelerar a transição para uma economia mais sustentável.