Uma variedade mais resistente à seca. Esta é a pesquisa que a Embrapa Arroz e Feijão, de Goiás, está desenvolvendo para chegar a uma nova variedade de arroz híbrido que será muito bem aproveitada pelos produtores do Centro-Oeste, principalmente do Norte de Mato Grosso que sofrem com o período de seca. A chefe geral da empresa, que também está trabalhando na pesquisa, Beatriz de Silveira Pinheiro, explicou que os trabalhos tiveram início há pouco tempo e que ainda devem levar algum tempo para chegar a um resultado positivo e esperado.
Tempo que na maioria das pesquisas levam em média de 10 a 12 anos para serem concluídos mas Beatriz disse que com a nova técnica que está sendo utilizada esse tempo pode ser reduzido pela metade. A pesquisadora disse que o método da “biotecnologia” está ajudando a reduzir essa espera.
“A biotecnologia que hoje ainda causa muita polêmica não é a mesma coisa que transgenia. São situações adversas mas que seguem a mesma linha. A biotecnologia está nos ajudando a reduzir o tempo de preparação de novas variedades, pois não é mais preciso esperar que a planta cresça para poder obter os resultados. Isso pode ser feito ainda com a planta pequena”, detalhou. “Isso é feito através da análise que chamamos de “seedling”.
Podemos observar os resultados que a planta dará através de marcadores moleculares. Vamos saber se ela será ou não resistente, se dará boa produtividade, como irá reagir ao ataque das doenças, enfim, poderemos ter uma série de informações num tempo bem menor”, assegurou mas lembrando que a pesquisa no campo não deixará de ser feita, pois "é essencial a pesquisa em laboratório aliada aos resultados obtidos no solo".
Beatriz falou que a meta é desenvolver uma variedade de arroz mais resistente à seca com alta qualidade grãos, boa produtividade e resistente ao ataque de pragas e doenças. “É a junção do arroz sequeiro com híbrido que hoje é muito utilizado na região onde não se vê plantações com variedades irrigadas. Então, por isso decidimos desenvolver esta variedade para que possa dar ao produtor uma maior garantia em situações adversas da natureza onde se acredita que haverá chuva suficiente para a produção do arroz quando que na verdade poderá haver uma grande estiagem”, assinalou. “A pesquisa ainda é um embrião mas acredito que nos próximos 6 anos tenhamos resultados positivos”, finalizou.