Embrapa participa da AgroBrasília 2026 com lançamentos, tecnologias e eventos técnicos
Lançamento de cultivares de trigo tropical e de cebola estão entre os destaques
Foto: Fabiano Bastos
Lançamentos de cultivares de trigo tropical e de cebola, vitrine de tecnologias e uma intensa programação de palestras estão entre os destaques da participação da Embrapa na AgroBrasília 2026. A feira, promovida pela Cooperativa Agropecuária da Região do Distrito Federal (COOPA-DF), será realizada de 19 a 23 de maio, no Parque Tecnológico Ivaldo Cenci, no Distrito Federal.
A Embrapa levará ao evento uma vitrine de tecnologias de um hectare com materiais vivos, onde os visitantes conhecerão cultivares de hortaliças, café, mandioca, trigo, girassol, soja, sorgo, arroz, feijão, pitaya, maracujá, forrageiras, além de consórcios para sistemas de integração.
Também haverá divulgação de informações sobre tecnologias e serviços e demonstrações de produtos de onze unidades de pesquisa: Acre (AC), Agroenergia (DF), Agropecuária Oeste (MS), Arroz e Feijão (GO), Café (DF), Cerrados (DF), Hortaliças (DF), Milho e Sorgo (MG), Recursos Genéticos e Biotecnologia (DF), Soja (PR) e Trigo (RS).
Lançamentos
Entre as novidades deste ano, estão as cultivares de trigo tropical BRS Savana e BRS Cracker, lançadas no dia 20 de maio, e a cebola BRS Belatriz 329, com lançamento no dia 21, no estande da Embrapa.
A BRS Cracker é a primeira cultivar de trigo tropical desenvolvida especialmente para fabricação de biscoitos. Recomendada para cultivo irrigado na região quente e seca do Cerrado, reúne ciclo precoce, alta produtividade – chegando a 150 sacas por hectare – e elevada resistência à brusone, principal doença que afeta as plantações de trigo no Brasil Central.
Já a BRS Savana é a primeira cultivar da Embrapa a apresentar o segmento cromossômico 2NS, que confere um nível elevado de resistência à brusone na espiga. Com produtividade média de 83 sacas por hectare, ela tem boa qualidade para panificação, sendo classificada como trigo pão.
A nova cultivar complementa o ciclo de produção. A cultivar BRS 404, já conhecida do produtor e bastante tolerante ao déficit hídrico, é posicionada para o fechamento de plantio, enquanto a BRS Savana, por sua boa tolerância à brusone na espiga, pode ser utilizada para abertura de plantio.
Outro destaque é a cebola BRS Belatriz, desenvolvida para o plantio de verão. Adaptada às altas temperaturas e às chuvas frequentes, a cultivar – uma cebola amarela precoce voltada ao consumo fresco – apresenta alta produtividade, uniformidade de maturação e bulbos com padrão comercial. O plantio é recomendado entre dezembro e janeiro, permitindo a oferta do produto na entressafra, período de preços mais vantajosos para o produtor.
A cultivar será lançada junto com o livro “Doenças, pragas e plantas daninhas em alho e cebola”, durante evento comemorativo ao 45º aniversário da Embrapa Hortaliças.
Soja
Outra novidade da feira é a BRS 8282, primeira cultivar com alto teor de ácido oleico (ômega 3), o que aumenta a qualidade nutricional do óleo. Essa característica torna o óleo produzido por essa cultivar similar a outros de alta qualidade, como o azeite de oliva e o óleo de uva.
Também estarão na vitrine as cultivares convencionais BRS 8381 e BRS 7583, que apresentam elevado potencial produtivo, estabilidade de produção e resistência ao nematoide de galha. A primeira, já disponível no mercado, tem hábito de crescimento ereto, o que facilita a colheita mecanizada. Já a BRS 7583, pode viabilizar a segunda safra de milho em algumas regiões.
Forrageiras
Entre os destaques da vitrine está a recém-lançada BRS Carinás, primeira cultivar de Brachiaria decumbens lançada no Brasil. Desenvolvida pela Embrapa em parceria com a Associação para o Fomento à Pesquisa de Melhoramento de Forrageiras (Unipasto), a forrageira alia a rusticidade e a adaptação da variedade de Braquiarinha a ganhos em produtividade de cerca de 18% em relação às variedades tradicionalmente utilizadas. Também apresenta bom desempenho em sistemas de Integração Lavoura-Pecuária (ILP).
A Embrapa também apresentará outras cultivares de forrageiras destinadas à alimentação de bovinos de corte e leite ou para uso como planta de cobertura. Entre elas, está a BRS Oquira, cultivar de amendoim-forrageiro indicada para consórcios com pastagens nos biomas Amazônia, Mata Atlântica e Cerrado. A planta se destaca pela elevada qualidade nutricional, alta digestibilidade e rápida cobertura do solo, contribuindo para a recuperação de pastagens degradadas.
Os visitantes poderão conhecer ainda cultivares como o Andropogon gayanus BRS Sarandi; BRS Integra, BRS Ipyporã, BRS Paiaguás e BRS Piatã, cultivares de Brachiaria indicadas para sistemas exclusivos de produção animal e para sistemas integrados (ILP e ILPF); as cultivares de Panicum maximum BRS Quênia, BRS Zuri e BRS Tamani e de capim-elefante BRS Kurumi e BRS Capiaçu, recomendadas para sistemas de pecuária intensiva; além de alternativas de leguminosas forrageiras, como a BRS Guatã, a BRS Mandarim e a BRS Bela.
Sorgo
O sorgo tem ganhado espaço como alternativa sustentável para produção de grãos, alimentação animal e produção de biocombustíveis, especialmente em regiões com menor disponibilidade de água.
Na AgroBrasília, a Embrapa apresenta a BRS 3002, cultivar híbrida de sorgo granífero que se destaca pela precocidade e estabilidade de produção em plantios na segunda safra e produtividade média de 6.500 quilos por hectare, acima da média nacional. A cultivar também apresenta resistência a doenças importantes da cultura.
Outra novidade é a BRS 662, híbrido de sorgo forrageiro gigante, indicado para produção e silagem. O material reúne precocidade, capacidade de rebrota, boa sanidade e estabilidade na produção, mesmo em condições de altas temperaturas e restrição hídrica, com produção nas primeira e segunda safras.
Arroz e feijão
A dupla mais popular do Brasil estará contemplada com sete cultivares adaptadas aos sistemas produtivos do Cerrado: quatro de feijão e três de arroz de terras altas. Com o crescimento do cultivo de arroz em terras altas.
As cultivares BRS A502, BRS A503 e BRS A504 CL passaram a compor novos modelos de rotação de culturas, ampliando as possibilidades de ganho para o produtor e para toda a cadeia. Além do elevado potencial produtivo, com produtividade de até 8.700 quilos por hectare, apresentam excelente qualidade de grãos.
No feijão carioca, as cultivares BRS ELO FC424 e BRS ELO FC429 se destacam pelo alto potencial produtivo e qualidade comercial. A BRS ELO FC429 possui ainda a característica de escurecimento lento dos grãos, o que aumenta o tempo de comercialização.
Já entre as cultivares de feijão preto, a BRS FP 327 reúne ciclo precoce, alta produtividade, excelente qualidade comercial dos grãos e adaptação à colheita mecanizada. A BRS FP426 tem como principal diferencial a tolerância ao Fusarium oxysporum, característica importante para sistemas irrigados e áreas com maior pressão de doenças.
Hortaliças
Além da cebola BRS Belatriz, a Embrapa apresentará cultivares de hortaliças desenvolvidas para aumentar produtividade, resistência a doenças e adaptação às condições climáticas brasileiras.
Entre elas, estão a alface híbrida BRS Leila, tolerante ao calor e a ao florescimento precoce; a berinjela Ciça, resistente a doenças; os tomates BRS Zamir e BRS Montese, que associam qualidade nutricional, sabor e resistência.
As cenouras BRS Planalto e BRS Paranoá também estarão na vitrine. A primeira se destaca pela resistência a doenças e nematoides, alto teor de carotenoides. Já a BRS Paranoá foi a primeira cultivar nacional desenvolvida para sistemas orgânicos. Outro destaque é o morango BRS DC25 (Fênix), que amplia a janela de produção com frutos grandes e doces e com excelente qualidade pós-colheita.
A Embrapa também demonstrará a tecnologia de alho-semente livre de vírus, que contribui para aumentar a produtividade e reduzir perdas e uso de agroquímicos no cultivo.
Girassol
Dois híbridos simples de girassol estarão em exposição. A BRS 422 associa alta produtividade e estabilidade, além de alto teor de óleo, acima de 39%. Já a BRS 323 se destaca pela precocidade, elevada produtividade e resistência ao nematoide de galhas Meloidogyne javanica, sendo alternativa para diversificação de cultivos na segunda safra no Cerrado.
Fruticultura
Cultivares de maracujás e de pitayas trarão mais sabor à vitrine da Embrapa.
Entre os maracujás, estarão cultivares de maracujá azedo, silvestre, ornamental e medicinal, como BRS Gigante Amarelo, BRS Pérola do Cerrado, BRS Estrela do Cerrado, BRS Rubiflora e BRS Vita Fruit.
As variedades de pitayas desenvolvidas pela Embrapa se destacam pela alta produtividade, sabor mais doce e resistência e tolerância a doenças. Outro diferencial é a autofertilidade, que dispensa a polinização manual. Serão apresentadas as cultivares BRS Lua do Cerrado, BRS Luz do Cerrado, BRS Granada do Cerrado, BRS Minipitaya do Cerrado e BRS Âmbar do Cerrado.
Também será apresentado o Sistema Filho – Fruticultura Integrada com Lavouras e Hortaliças, modelo que aproveita o espaço entre as linhas de pomares para cultivo de espécies de ciclo curto, como hortaliças, grãos e outras culturas de frutas anuais ou bianuais, nos primeiros três anos após a instalação do pomar.
Mandioca
Serão apresentadas duas cultivares de mandioca adaptadas às condições do Cerrado. A BRS 429, voltada para o consumo de mesa, possui polpa amarela intensa, alta produtividade e colheita precoce, entre oito e dez meses após o plantio.
Já a BRS 418 é indicada para as indústrias de farinha e polvilho e está em fase final de avaliação do uso de suas folhas para alimentação animal, com alto valor nutricional. Entre os diferenciais, estão a adaptação ao Cerrado, a resistência moderada à bacteriose e arquitetura favorável à colheita mecanizada.
Trigo
Além dos lançamentos das BRS Cracker e BRS Savana, na vitrine, estarão representadas a BRS 264, que detém o recorde mundial de produtividade de trigo irrigado, alcançado em Cristalina (GO), e se destaca pela precocidade e excelente qualidade para panificação e aBRS 264, cultivar de trigo irrigado mais produtiva e precoce do Brasil, apresenta excelente qualidade para panificação. Os produtores também poderão conhecer a BRS 404, cultivar de trigo sequeiro para safrinha de classe pão, que se destaca pela maior tolerância à seca e ao calor.
Sistemas de produção integrada
A integração entre lavoura e pecuária (ILP) tem se consolidado como uma estratégia para aumentar a produtividade, recuperar áreas degradadas e tornar a produção mais sustentável. Entre os exemplos apresentados, estará o Sistema Diamantino, desenvolvido no Mato Grosso do Sul. O modelo utiliza o sorgo biomassa em consórcio com forrageiras perenes (como capins dos gêneros Brachiaria e Panicum) para produzir silagem e, simultaneamente, renovar as pastagens.
Os visitantes também poderão conhecer consórcios como sorgo com Panincum maximum BRS Tamani; girassol com estilosantes; milho com estilosantes; milho com BRS Tamani; milho com Brachiaria ruziziensis BRS Integra e girassol.
Macaúba
Uma vitrine com macaúba foi plantada exclusivamente para a edição de 2026 da Agrobrasília. Palmeiras nativas do Cerrado, elas permanecerão no espaço crescendo naturalmente, para que a cada nova edição da feira os visitantes possam acompanhar o desenvolvimento até a planta chegar à idade adulta e produzir frutos. A Embrapa tem pesquisado estratégias para domesticação da macaúba e o potencial de seu óleo para produção de biocombustível.