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Emissões globais avançam de forma desigual

Entre 2014 e 2024, Reino Unido, Alemanha e Japão aparecem entre os que mais reduziram


Entre 2014 e 2024, Reino Unido, Alemanha e Japão aparecem entre os países com maiores reduções Entre 2014 e 2024, Reino Unido, Alemanha e Japão aparecem entre os países com maiores reduções - Foto: Divulgação

As mudanças nas emissões de CO₂ entre os maiores poluidores do mundo mostram uma década de avanços desiguais, com cortes relevantes em algumas economias e forte expansão em países em processo acelerado de industrialização. A avaliação é de Gustavo Spadotti A. Castro, chefe-geral da Embrapa Territorial, a partir de gráfico da Visual Capitalist com dados do Our World in Data e do Global Carbon Budget.

Entre 2014 e 2024, Reino Unido, Alemanha e Japão aparecem entre os países com maiores reduções proporcionais de emissões ligadas a combustíveis fósseis e indústria. O Reino Unido recuou 28,7%, de 439 milhões para 313 milhões de toneladas. A Alemanha reduziu 27,8%, de 793 milhões para 572 milhões. O Japão caiu 23,7%, de 1,3 bilhão para 962 milhões de toneladas.

No sentido oposto, China e Índia ampliaram fortemente suas emissões no período. A China passou de 10 bilhões para 12,3 bilhões de toneladas, alta de 23,2%. A Índia avançou 48,7%, de 2,1 bilhões para 3,2 bilhões. Juntas, adicionaram mais de 3,4 bilhões de toneladas anuais de CO₂, volume superior à soma das emissões atuais de Reino Unido, Alemanha, Itália e Japão.

Outros países asiáticos também tiveram crescimento expressivo. O Vietnã registrou alta de 106%, de 180 milhões para 371 milhões de toneladas. A Indonésia cresceu 63,1%, de 498 milhões para 812 milhões. A Turquia avançou 39,7%, enquanto Irã, Malásia e Arábia Saudita tiveram aumentos entre 18% e 23%.

O Brasil aparece com redução de 13,2%, passando de 557 milhões para 483 milhões de toneladas. Na análise apresentada, esse desempenho contrasta com a pressão internacional sobre o país em temas ligados ao uso da terra, conversão legal de áreas e competitividade agropecuária.

Para Spadotti, o debate climático perde efetividade quando metas e cobranças se concentram sobre países que já reduziram emissões, enquanto os maiores aumentos ocorrem em outras regiões. A leitura é que políticas climáticas, quando desconectadas da origem principal do problema, podem afetar a competição econômica sem produzir resposta proporcional ao desafio ambiental.
 

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